quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O Bom Rapaz

A história do bom rapaz é engraçada.

Ele queria, como o sol quer o dia,
devorar à dentada, o pescoço da sua amada.
(Mas mais nada!)

(Assustada, ela não quis.
Não quis fazer o rapaz feliz.)

Ele tentou, tal e qual um acrobata
lamber a sua querida omoplata.
(Mau, precisava de um degrau?)

(Confusa, ela recuou.
E o bom rapaz até chorou.)

Ele insistiu, fez-lhe uma cantiga:
e pediu um beijinho na barriga.
("Esclareço:Não subo, nem desço!")

(Atrapalhada, ela não disse nada.
E o bom rapaz continuou.)

Ele implorou, de joelhos, à janela,
por uma festinha na canela.
(Gesto bonito, admito.)

(Aborrecida, foi buscar uma bebida.
E o bom rapaz nada bebeu.)

Por fim, coitadinho,
(depois de tentar cheirar o mindinho)
Levou a derradeira sapatada,
(ficou com a alma desolada.)

Foi tão grande a crueldade
Que mesmo bondoso, sem maldade,
(Sem um pingo de má vontade!)
vingou-se com o coração cansado,

Valente! Enfrentando todos os perigos!
no Hi5, tirou-a dos melhores amigos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Identidade Pornográfica

Mais que questões eleitorais, freeports, discriminações homofóbicas ou tumultos sociais, tenho vindo a constatar que o país se depara com uma temática emergente e transversal ás anteriores, que tende a assumir contornos catastróficos: a procura de uma identidade pornográfica.

Em curto espaço de tempo o Ministério Público censurou uma sátira carnavalesca ao Magalhães, sátira que consistia na apresentação de uma série de imagens (supostamente) pornográficas no monitor de uma representação do dito equipamento informático. Um dia após, o Ministério Público recuou e cortou a etiqueta que catalogava de impróprias e pornográficas as tais imagens. Pouco tempo depois, a PSP mandou apreender um conjunto de livros de uma feira, alegando que as suas capas continham conteúdo pornográfico. Um dia depois (e onde já foi visto isto?) a PSP recuou e lá permitiu a exibição e venda dos tais livros.

A questão é séria e peca (infelizmente) por ser pouco explorada nos midia. Tenho para mim que a pornografia está na base da confiança e contentamento da população, por motivos ancestrais e inerentes à própria noção de homem/mulher. Querem então confundir os nossos (dos portugueses) sentidos sexuais e baralhar as nossas opiniões aos assuntos mais devassos.

Talvez, num futuro próximo, sejamos de tal forma privados da imagem de um bom par de mamas que nos vejamos forçados a obter diversão em orçamentos de estado, códigos do trabalho e regimes jurídicos que (desculpem-me a brejeirice necessária ao trocadilho) só nos fodem a vida.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Na vanguarda

Não esperava que nos visitassem por outros motivos que não os que levam no bico interesses estritamente sexuais.

Relatório da Academia (I)

Neste momento, estão empatados (2 óscares cada) os filmes Quem quer ser bilionário? e o Estranho Caso de Benjamin Button.

Vou apostar no filme Indiano para grande vencedor da noite.

Dada a actual conjuntura económica, quem iria preferir um filme onde se nasce velho (e logo sujeito a uma imensidão de burocracia e incertezas quanto ao ganho da reforma) a um onde o título é Quem quer ser bilionário?

Minipreço

Já não apanhava um susto assim desde que o Oscar Cardozo marcou o segundo golo do Benfica, feito que de positivo teve apenas o espicaçar de um jogo do tipo “mais-do-mesmo” com o a vitória Leonina a revelar-se mais quotidianamente monótona do que surpreendente. Bem, tudo fica bem quando acaba bem. O tal susto, esse passou-se por volta das duas da tarde na fila do Minipreço, quando após ter pisado os calcanhares de uma certa senhora com o carrinho de compras, ela se vira para trás (de sorriso maroto nós lábios) e diz: Deixe lá, não há crise. Estava eu distraído com a simpatia das formas adelgaçadas dos bolsos traseiros das calças da dita cuja que não dei conta do meu desastrado atropelamento. E logo, estranhei o seu comentário: Não há crise????!! (pensei). De coração acelerado lá demorei uns dois minutos a interpelar a sujeita: Desculpe? Não há crise? Respondeu, docilmente: Pisou-me com o carrinho das compras, idiota. Ah bom, suspirei, mais descansado.

De facto, nesses dois minutos tudo me passou pela cabeça, num pânico não aconselhável a cardíacos. Orgulho-me de trabalhar numa empresa de penhores e mais, de ser funcionário qualificado e dedicado num McDonalds. De facto, sou empregado do mês de ambas as instituições e eram vários os prémios que havia ganho, dado o volume de tarefas levadas a cabo nas minhas duas ocupações. Tais prémios valiam-me uma certa sustentabilidade económica, além de serem pretexto de admiração pelos meus parceiros de póker nas quintas à noite... Parceiros desempregados, que viam no jogo a derradeira tábua de salvação orçamental (apostando claro está, o abono de família dos seis filhos).

O que seria do meu conforto, caso a crise desaparecesse? Que bens iria ter a felicidade de penhorar, com a frequência com que hoje o faço? Quem iria dar 5 euros por um Big Mac (além de rápido, barato) com refeições (um conceito antagónico a Menu) no balcão do lado, tão mais caras quanto saudáveis? Pior, quão ridícula seria a minha presença na fila do MiniPreço, caso a crise tivesse acabado? Não, pior, que iria eu fazer quinta à noite, se os meus prezados companheiros de jogo recuperassem o emprego? Tenho a certeza que sou o único a jogar por prazer... E não sei do que gosto mais... Ganhar dinheiro, congratular-me espalhafatosamente pelos meus triunfos profissionais ou apenas sentir o desespero dos outros.
Sim, assustei-me.

Ainda bem que o fim da crise, é mentira.

Para ti, Maria

Boa noite. Olá eu sou o João. O teu nome é…?” (Frase 1) Isto é como começam as grandes conversas de quintas, sextas ou sábados à noite em que uns três copos de gin já não te deixam ficar embasbacado, mesmo que arrastes a voz. Começa sempre por ai, e depois segue-se aquela conversa entediante que ninguém gosta realmente e quem fica para a ouvir é só porque quer nada mais que contacto físico (Estritamente físico). Pensei na “One night stand” como o vício do tabaco – Uns fumam porque lhes dá prazer, ou facilmente os relaxa. Outros fumam de vez em quando, quando estão já com os copos, lá para o meio da noite. Outros, simplesmente, não fumam e acham repugnante quem o faz. Mas o normal são aqueles que até querem fumar, mas não conseguem sequer acender o cigarro. Eu acho que sigo a norma. Bem, mas vamos à Maria: A Maria é uma qualquer miúda quase tão bêbeda como o João (Atenção! Utilizo João aqui só por ser um nome tão vulgar quanto Maria) e se passeia sorridente pelas luzes psicadélicas de um espaço qualquer que nos frita os tímpanos com musicas acima dos 100 db. O João vê a “moça” e parte numa heróica jornada. (Frase 1). Resposta: Eu sou a Maria. Entretanto trocam-se meia dúzia de palavras, um quartilho de sorrisos e uns nanogramas de charme (com gin no sistema, não dá mais do que isso) e após o tédio vem a parte boa – O Beijo. O Beijo a uma completa desconhecida é encarado por mim como a 1ª vez que vemos nevar naquele ano. Não é que estejamos pouco habituados à neve, ou nos lembremos durante a vida quando aconteceu, não. É só porque quando está a cair é sempre bonita, mas quando chega ao chão acontecem uma de duas coisas: ou permanece no chão até ficar rígida e húmida, tal e qual o gelo, ou derrete assim que bate no asfalto ou o calcário do passeio (e cada um dorme na sua respectiva cama). E toda a gente sabe que o vulgar é a neve derreter assim que chega ao chão.
Isto é um suponhamos: Então suponham os leitores que a neve pega e até enrijece! Como é que vão tirar o carro amanha de manha quando se levantarem para ir trabalhar? Bom, ou não vão e ficam na cama o dia todo a apreciar a bonita paisagem ou tentam raspar com toda a força o gelo do para brisas e rezar que o carro não deslize naquela subida matreira que vai da central ao hotel. Basicamente se o prazer carnal foi suficiente para os dois desconhecidos há a capacidade para se manter na casa de quem quer que seja a deambular em roupa interior. Se tudo não passou de um fiasco enorme e de um desperdício de látex acho que o que muitos de vocês fariam seria raspar o gelo do para brisas e dizer um até qualquer dia com um beijo na face e esperança que o carro se aguente na subida.

“Isto é para alguém especial!” - Afirmam os leitores. Eu digo que é Mentira. É só mais um texto de estereótipo para uma miúda qualquer que se quer engatar para não nos sentirmos tão sós quando acordarmos lá para às duas da tarde com um hálito horrível a acetona, porque bebemos umas cervejas a mais.

PS: O caso entre o João e a Maria nunca resultou. O sexo até foi bom, e repetiram e lambuzaram-se, mas ele era Moche, 96, Tmn; ela era Extravaganza, 91, Yorn.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Pornograficas?

Bem, foi recebida no centro de coordenação de relações públicas português do blog A Mentira um pedido de desculpas formal face aos acontecimentos de dia 19, acontecimentos tais que ejaculavam um certo odor a censura. No remetente constava um qualquer nome identificador de um alto-cargo do Ministério Público que disse sentir-se tocado e comovido com o anterior post do presente blog.

"Depois de feitos, o melhor é cobri-los", era a frase que uma tia minha dizia quando fazia uns deliciosos bolos com pepitas de chocolate. Pareceu-me uma frase que se coaduna com os erros do Ministério Público.

Desta vez, passa...

Mais informações, visitar o site do Carnaval de Torres Vedras