terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
banalidades
ela sustem-se. porra, tanto tempo sem a ver e logo hoje que ela tá atulhada de trabalho decide aparecer. Pronto, só um café.
"Claro quiduxa, nem eu tomaria mais! Mas conte, onde vai a menina?"
reuniões, trabalho, estava atulada, nem sabia por onde começar.
"Mas a menina anda metida na política?"
É, também. agora até andava com uns problemas com a direita.
"Ah, nem me diga, eu também. olhe que ando no ginásio há meses e parece sempre que a perna direita está um pouco mais flácida, não sei que será. Mas diga-me, como vai o seu marido?"
vai bem.
"bem quida? que é isso? confiança! anda a desprezar a cama...."
Não, na verdade até estava grávida.
"NÃO!"
sim, tentaram durante meses e
"Que burrice quiduxa, que foi fazer??!!??"
ora tia, era um sonho..
" Um sonho, tá a gozar comigo linda! então acha que isso a vai fazer feliz?"
claro
"Tá doida amorzinho! Olhe para si, vai ficar um elefante!"
ora, por amor de deus tia
"Oh mas é claro que sim!"
silêncio
"Já sei, vai abortar!"
ora tia
"É a única solução. votei sim no referendo porque acho que todas as mulheres têm direito a ser lindas a vida toda!"
ora, que disparate
"não é nada amor, vai ver se ele gosta de si depois, vai ser adultério de certeza!"
"Aborto, agora mesmo, a menina vem comigo à clínica e é hoje!"
levantou-se, estava muito feliz, obrigada!
e saiu
"ora, temos uma coisa tão útil como o aborto e desperdiçamos o direito que até o estado nos dá. pobrezita. quero ver como vai reagir quando a amante sugar o dinheiro todo do marido."
p.s: conversa de minuto e meio que ilustra o vazio do pensar de três quartos da população portuguesa. o quarto restante funciona a meio gás. para aí dez devem merecer uma performance 100%. espero um dia poder aumentar esse nº =P
domingo, 29 de março de 2009
Lugares Comuns(I)
Adoro histórias de lugares comuns, inevitáveis, cinematográficos. Cenários absolutamente previsíveis - cliché, sabem?
- O Arranha-céus
Absolutamente incrédulo, a Teresinha olhar de tão alto os Homens, seu cão Jeremias e aquele ceguinho que curtia o barulho, o calor, e a agitação de estar no meio da multidão histérica. – Porquê ela, a pobre Teresinha? Perguntavam-se em uníssono. O cão ladrava, e o ceguinho perguntava pela menina, embora nunca a tivesse visto mais gorda. (E nem mais magra, claro). O Padre implorou em altifalante, Madalena sua mãe teve 3 AVC’s em 15 minutos, o ex-namorado mentiu – afinal descobriu que gostava de homens, sim, foi por isso Teresinha. Ninguém queria que Teresinha voasse daquela maneira. Mas ela queria, e abriu as asas. As sirenes tocaram em câmara lenta, sabem? Os clássicos NÃO ecoaram, as mãos levantaram-se para os céus – Agarra-a Jesus! – Até se ouviu algures. Mas Ele devia estar ocupado, na sanita, sei lá, e logo Teresinha aterrou. Mesmo em cima do ceguinho. Engraçado não é? Ele só queria estar quentinho, e ter um pouco de atenção. Morreu aparando a queda da exibida da Teresinha, garota mimada. Se fosse minha filha levava uma sova…
- A Varanda
É óbvio que o Martins não ia passar o fim-de-semana em Cucujães com os velhos. Já se penteava com um gel verde, de aparência bastante radioactiva, e usava as calças no fundo do rabo. Um Homenzinho da nossa geração. Foi estudar para a varanda. Foi ler para a varanda. Foi ver a paisagem na varanda. Pronto! Foi mandar mensagens para a varanda. E deu-se ali encarcerado, 2 horas depois, quando procurou entrar para carregar o aparelho. Sem intenção, e sem saída. Primeiro pensamento: já não ia haver hambúrgueres, como tinha planeado. Viveu que nem um animal, 2 dias inteiros. Bebeu a água que choveu 3ª Feira, contorcendo a língua nos cantos sujos do chão de azulejos, jantou os rebentos de tulipa que surgiam no canteiro, sempre, na primavera. Armadilhou o parapeito da varanda, e conseguiu caçar 2 pombas. Uma devorou, assada com o isqueiro que tinha no bolso, com penas bem torradas, e temperada com umas ervas que ia fumar – não tinha paciência nenhuma, aquele rapaz. A outra chamou de Juliana a conversou com ela sobre o último episódio de Morangos com Açúcar. Dormiram por baixo da mesa, e de manhã o Martins arrancou-lhe as asas e preparou o pequeno-almoço para os dois. Ela não quis, estranhamente, e ele zangou-se, chamou-a de puta e mandou-a da varanda. Depois arrependeu-se, mas às vezes é tarde para isso.
- O MacDonald’s
O clássico, o predilecto. Aquele que penso sempre, que me ri baixinho por dentro.
É claro que tem que estar sempre uma fila tremenda. Hipótese: Crianças em excursão, uma tribo de cabeças de acne a prepararem 400 tabuleiros de 400 happy-meals e cocas-colas ridiculamente pequenas. Aquele dia em que questionamos, porra, porque se chama fast-food? E depois de todos os preliminares repetidos 3 vezes, finalmente me perguntam, quando a cabeça já orbita em torno da ira do ego – “Senhor, vai pagar com dinheiro?” – Ai, que vontade de responder – “Não senhora, com galinhas.”
como perder tempo a falar dele
Falta tempo a toda a gente (incluindo à selecção, no jogo de hoje).
Aos mendigos desse Chiado, malabaristas de porta de igreja ou guitarristas de escadas de metro, tenho-lhes a inveja. Invejo-lhes a coragem, e cobiço-lhes o tempo. Se tempo é dinheiro, talvez sejam eles os mais ricos. Gastamos o tempo de uma vida a lutar para ter condições de gozar sei lá eu que outro tempo. Eles, simplesmente saltam o meio e gozam (aspas, na generalização de gozam) logo o fim. (gostava de não usar tanto a palavra tempo, mas faltam-me os sinónimos.)
Filosofias à parte... o tempo está em todo lado. Para meu espanto, descobri numa cadeira de física deste semestre, que o tempo está mais na distância do que julgamos. Nada de melodramatismos do tipo "falta tanto tempo para estarmos juntos outra vez querida"... Simplesmente, descobri que o metro se mede com base no segundo. Pois, um metro é, dizem eles, a distância que a luz percorre no vácuo em 1/299.792.458 segundos. Engraçado...
sábado, 28 de março de 2009
Li metamorfose, por curiosidade, por cliché, porque ver um livro assim, abandonado, velhinho na prateleira dá pena. não vou dizer que foi sacrifício, mas devo confessar que também não foi alegria nenhuma. metade de tudo o que ali havia eu suprimia. quanto à outra metade, bem espremidinha, resumia a quatro linhas ( um jeitoso parágrafo de um grande escritor, bem condensado). é, pode-se dizer que foi como pensar em kafka como cozinheiro: pegou num pacotinho de 10 gramas de pó amarelo, misturou água e fez dele um gigantesco pudim mas, neste caso, em versão literária.
mesmo assim continuo a achá-lo aquilo a que se pode chamar um must read. se morrerem sem ler uma dúzia destes todo e qualquer mortal se deve achar incompleto...
mas voltemo-nos para o agora. não muito para ver, quase nada para acompanhar. vivemos num boom livresco em que de mil livros editados talvez um valha mesmo a pena e outro dê para levar de férias e ir lendo três linhas por dia antes da sesta...
ah, acresce o problema das páginas. quando dão um livro a alguém o que é que se pensa? "quanto maior melhor, para parecer caro!" e quando se compra um livro?
"quanto mais pequeno melhor, para ler depressa..."
Olá kay
Na sua camisola, consta kay. Assinou contrato de três épocas, mais duas de opção. A sua cláusula de rescisão dava para pôr um marcha a trás no pedido de insolvência da Papelaria Fernandes. Joga a ponta de lança, e com ela, o ataque do blog está forte, muito mais forte...
quarta-feira, 25 de março de 2009
eduquem-nos
Hoje é dia do estudante. Ou seria, se não passasse já da meia noite. Pormenores horários à parte, o blog empobreceria se não houvesse da sua parte uma palavra a opinar acerca estado da educação, das instituições e do estudante...
Será bandeira e hino deste post, o pressuposto: A educação, mais que um meio para atingir um fim, é a base e estrutura a partir da qual se erguem os alicerces da sociedade. Talvez palavras demasiado perfumadas para dizer que a educação é “importante cumó caraças”...
O processo educativo molda os indivíduos de forma a encaixar e serem parte integrante de um colectivo. Colectivo esse que será a mão de obra activa, e, daí, legislador e executor das directivas que visam reger toda a linha de orientação da população. (Como em democracia se sabe, todo e cada um é parte de tal colectivo. Logo, esse colectivo não é mais que toda a própria população.) Neste sentido, julgo que é óbvio antever, que o que se pode esperar da sociedade daqui a vinte ou trinta anos, não é mais que o reflexo do que hoje em dia se adquire nas instituições de ensino. Tenho medo, medo que tais anos vindouros sejam a selva competitiva que me parecem ser hoje as universidades. Medo que se estejam a criar protótipos robotizados única e exclusivamente moldados para um determinado fim, demasiado específico, de onde, de tal especificidade, demasiado drástica, não reste espaço ou capacidade para ter um olhar crítico (e porque não criativo) acerca de temas que fujam um milímetro ao espectro para o qual se foi programado. Não sei se me agrada mais a evolução tecnológica desmesurada (fruto de tal especialização da população, é certo), ou uma evolução humana, cultural, cívica, no fundo, mais sustentável.
O segundo ponto, se é que já houve um primeiro, será acerca do acesso ao ensino superior. Falo do que sei, ou antes, falo do que atravessei. É puro engano sucumbir ao facilitismo em detrimento de simples estatísticas. As boas estatísticas, essas deveriam recair sobre a qualidade de ensino e os conhecimentos efectivos do aluno e não, ser utilizadas como instrumento demagógico ou sinal do “está tudo a correr ás mil maravilhas”. Falo concretamente dos exames de acesso ao ensino superior. Talvez fosse boa política seleccionar os alunos pelo seu esforço e rendimento escolar e não tanto pela capacidade (ou falta dela) económica para prosseguir nos estudos.
Seria indispensável falar sobre Bolonha. Seria sim... Peco por não estar tão bem informado assim acerca do tema. Julgo que essa questão faria mais sentido ser tratada se fosse eu um aluno de há vários anos no ensino superior e tivesse sentido na pele a transição. Como não experimentei o antes de Bolonha, qualquer comentário meu será meramente teórico. Não irei entrar por aí. No entanto, parece ser um bom processo (o de Bolonha), quando lida a apresentação no site governamental acerca do tema. Até se lê, a certa altura: Maior envolvimento dos estudantes na gestão das instituições de Ensino Superior; como consequência de Bolonha...
Enfim, fico-me pela amargura de ler por vezes um ou outro “procura-se licenciado pré-Bolonha”.