quarta-feira, 24 de junho de 2009

A Internet

Os iranianos não são apenas amordaçados na rua. O governo Iraniano já soube colocar sofisticados sistemas de bloqueio à saída de informação por via da Internet. Tudo o que saí para fora do país é seleccionado.
O Wall Street Journal, denunciou a parceria levada a cabo entre Siemens e Nokia, na criação de um sistema sofisticado de espionagem e censura, a actuar em material informático.
Felizmente, tal ainda não é concretizado a 100%.

A batalha que não se faz nas ruas

Ali Rafsajani, não tem em falta competências (e, julgo eu, vontade) para se sentar no trono de Líder Supremo. Já fora anteriormente presidente e é o fundador da República Islâmica do Irão. Apoia, como referi, Mousavi. É importante recordar também, que Rafsajani foi o candidato derrotado em 2005 por Amhadinejad, numas eleições também elas pintalgadas de suspeitas de fraude.

O actual líder supremo, Ali Khamenei, não encontra razões (nem, julgo eu, vontade) para sair do poleiro. Condena os protestos e tem uma mão no ombro do candidato vitorioso.

A luta por um cargo, transcende as competências de umas eleições presidenciais.

A batalha que se faz nas ruas

O número de mortos já ascende a mais de 70.
A repressão policial feroz torna os confrontos físicos violentos. A voz da revolta tenta ser à força calada, por uma opressão que cada vez mais galvaniza os protestos.
Num jogo da selecção nacional, alguns jogadores entraram em campo com pulseiras verdes, em sinal de protesto. O acto simbólico valeu-lhes a expulsão da selecção.
Recentemente foi morta a tiro Neda Agha-Soltan. Tinha 26 anos e vídeos dos últimos momentos da sua vida podem ser encontrados no Youtube. O seu noivo já disse que nem sequer estavam presente nas manifestações. Encontravam-se numa fila de trânsito e Neda saiu do carro. Tinha calor. Foi atingida por uma bala no coração.

A teia política iraniana

O sistema político do Irão perde-se num emaranhado de hierarquias. No topo, o líder supremo Ali Khamenei, ostenta o poder de decisão sobre todos os assuntos do estado. É a este que se deve a nomeação do Conselho de Guardiões e do Conselho de Discernimento além dos directores dos meios de comunicação social, chefe dos sistema judicial e altos-cargos das forças armadas. É uma das peças fundamentais do tabuleiro onde se jogam os protestos.
O Conselho de Guardiões escolhe os candidatos ás presidenciais, ao Parlamento e à Assembleia de Peritos, órgão que supervisiona o líder supremo.
Ao Conselho de Discernimento e à Assembleia de Peritos, preside Ali Rafsajani, visto como o segundo homem mais poderoso do país. Outra das peças fundamentais no jogo.
O líder supremo Ali Khamenei, aprovou rapidamente o processo eleitoral, dando luz verde (passo o trocadilho) a Ahmadinejad para ocupar o cargo de presidente. Ali Rafsajani apoia a causa de Mousavi, o candidato derrotado.

O papel de cenário

Em 2005, Mahmud Ahmadinejad, o Engenheiro Civil que protagoniza a discórdia nas ruas do Irão, obteve divinamente, 62% dos votos, vencendo o seu oponente e dando por completo uma volta face aos resultados obtidos na primeira ronda de votações onde perdia com 19% dos votos, contra os 21% de Rafsajani (seu adversário). Suspeitou-se de fraude eleitoral, e pela suspeita se ficou.
Nas eleições do presente ano, Ahmadinejad repetiu a proeza e foi re-eleito, por vias cuja legalidade e transparência só Deus ou outro qualquer líder supremo o sabe. O seu opositor, Mousavi, pinta de verde e sede de justiça os protestos que se fazem sentir, dentro das fronteiras impostas pela opressão policial e/ou estatal.
Em 50 cidades, há mais votos que eleitores e os opositores de Ahmadinejad, nem nas suas províncias de origem conseguiram a vitória.

Irão

Tantas mentiras se vivem lá para os lados do Irão, que seria imbecil não ter A Mentira uma palavra a dizer. Sem querer cair em conflitos ideológicos ou crises de identidade, desta e só desta vez, irá A Mentira tentar averiguar e proclamar a verdade pela qual morrem pessoas nas ruas de Teerão.

segunda-feira, 1 de junho de 2009