terça-feira, 30 de março de 2010

Estudo do Boletim Económico do Banco de Portugal

- Salário médio de um trabalhador licenciado: 1625 € por mês

- Salário médio de um trabalhador com o 12º Ano: 862 € por mês

- Diferença mensal: 763 €

- Propinas anuais: + - 1000€

No pressuposto que uma pessoa trabalha 40 anos na sua vida, faz uma licenciatura de 3 anos e um mestrado de 2 anos (que custe 10000€ o mestrado - acima da média) e que o salário médio ao longo da vida é de 1500 € (abaixo da média):

- Peso mensal das propinas no salário (diluído ao longo dos anos): + - 28 €

- O "custo mensal" de estudar é de + - 28 €. O custo de não estudar é de 763 €.

Simples cálculos não financeiros não rigorosos e aproximados.

O que é mesmo difícil para mim perceber:

- Acção Social que não funciona.

- Sistemas de financiamento privados pouco flexíveis.

- Pessoas que reclamam das propinas, ainda que o argumento seja que pouco ajudam para financiar a nossa máquina de ensino superior. Contra esse argumento apetece-me dizer: então aumentem o peso das propinas. Desde que garantam que o nosso Estado Social ajude quem precise verdadeiramente e que seja reconhecido o mérito de quem verdadeiramente se aplica. O melhor sistema de ensino mundial é quase exclusivamente privado. Dá que pensar não dá?

Boa noite.
Desculpa Fernando.

A mentira sobre a Igreja Católica

Domingo, será de Páscoa, "apesar de tudo".

A ler:

1- "O Papa pedófilo" - Aventar

2- "Novidades" - Blasfémias

3- "Não quero este gajo no mesmo país que os meus filhos" - WEHAVEKAOSINTHEGARDEN

4- "Celibato, pederastia, homossexualidade e satirismo" - Fiel Inimigo

5- "A pedofilia na Igreja Católica" - DN Opinião

6- "Por estes dias…" - Arrastão


Mas, afinal, o que deve mudar na Igreja Católica? Eis aqui a resposta.

Em playback, a fazer playback e vivó playback...



Aconselho a lerem a descrição no youtube para saberem o que se passou.

hoje sinto-me um anarquista chateado com o ensino superior

A Universidade só há-de iluminar o povo no dia em que lhe pegarem o fogo.
Antero de Quental

segunda-feira, 29 de março de 2010

Men are not nice guys

Depois de um longo período de ausência achei por bem voltar ao blog com este assunto talvez já mais que enxovalhado.
Para quem lê a revistinha fininha que acompanha o Público aos domingos (ponham a minha pessoa nesse grupo), de certeza que já se cruzaram com o par de páginas dedicado a "o que eu sei sobre...homens".
Devo dizer que nada do que vem lá vai para além das banalidades diárias: o mistério, a criatura estranhamente incompreensível, aquele amor platónico que sempre acaba com um divórcio e três filhos divididos aos fins de semana e nas férias de Verão.
Apesar do tão aclamado progresso e da tão badalada evolução e emancipação o homem continua nesse pedestalzito manhoso e a mulher, ainda que digna de usar calças, nunca será a sua verdadeira dona.
Sabem aquele comentário infeliz do Dia da Mulher é só um e o do homem são os outros todos? A verdade é que o mundo ainda possui um véu demasiado machista. Política?? homens, homens, homens, homens. Literatura?? igualzinho. Arquitectura? Ciência? também....
hmmm, mas acredito plenamente que a culpa continua a ser das mulheres e desse espírito muito sonhador à clássico filme Disney, com príncipes no cavalo branco à mistura.
Ainda assim leiam a entrevista da Pública, se não for mais pelo menos é banalmente engraçado.

o precariado rebela-se


Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

(Vladimir Maiakovski) (aqui)


Um poema que espelha a metáfora de uma triste realidade...

A luta contra a precariedade impõe-se, e o MayDay Lisboa, dando corpo a essa luta, está aí de novo. A sua próxima assembleia é terça-feira, pelas 20h45, no SGPL (Rua Fialho d'Almeida nº3, Lisboa).


fica a par dos acontecimentos: MayDay Lisboa



domingo, 28 de março de 2010

Uma experiência socialista (II)

decidi fazer um post a partir de um comentário:

(ver antes aqui ou, originalmente aqui)



Primeiro, não sei se um tão redutor modelo mereça ser comentado como se de algo socialmente abrangente se tratasse: tentar comprar um um episódio de um semestre numa sala de aula a um modelo de organização social directamente responsável pela vida de milhões de pessoas deixa no ar a legitimidade de criar nos mesmos moldes um paradigma simplista de modelo capitalista... Nesse modelo, supondo-se que o expoente máximo na sala de aula é, como defende, a recompensa pessoal, necessitaríamos logo à partida, de garantir o pé de (total) igualdade de todos os intervenientes. Só assim se conseguiria uma competição saudável. Explico: Partimos do pressuposto que existem objectivos comuns a toda a turma. Se só uma parte da turma os consegue alcançar, os que sabem ser uma meta impossível à partida, não se irão esforçar. E aí caímos no bicho-de-sete-cabeças que preconiza, ou seja, a falta de esforço individual. Se conseguir isto do pé de igualdade, avise, e serei seu companheiro pró-capitalista ou pró-individualista ou o que lhe queira chamar.
Em segundo lugar, num outro ponto de vista, permita-me que lhe agradeça. A experiência falhada que relatou, contém em si mesmo um elogio ao esforço de cada um pelo todo. Se é sabido que a falta de esforço levará invariavelmente à desgraça da sociedade, parece-me óbvio que, pondo de parte sentimentos masoquistas, ninguém irá desejar ver a sua falta de empenho o rastilho para a explosão social. Ou seja, a sociedade ganha consciência de que o todo não é nada sem o trabalho empenhado das partes. E, obviamente, uma parte não é nada sem a sua inserção num todo. Se o senhor vive consigo mesmo numa autarcia individual avise, também quero a receita.Em terceiro lugar, não peço que se esperem milagres de uma sociedade onde os valores individuais estão enraizados em tamanha solidez.
O seu post é a prova de que muito há a mudar na mentalidade (desculpe dizer, mesquinha), do mundo de hoje. O próprio Marx reconhecia um modelo de transição, após a superação do capitalismo: “Em conformidade, o produtor individual recebe de volta — depois das deduções — aquilo que ele lhe deu. Aquilo que ele lhe deu é o seu quantum individual de trabalho. Por exemplo, o dia social de trabalho consiste na soma das horas de trabalho individuais. O tempo de trabalho individual do produtor individual é a parte do dia social de trabalho por ele prestada, a sua participação nele. Ele recebe da sociedade um certificado em como, desta e daquela maneira, prestou tanto trabalho (após dedução do seu trabalho para o fundo comunitário) e, com esse certificado, extrai do depósito social de meios de consumo tanto quanto o mesmo montante de trabalho custa. O mesmo quantum de trabalho que ele deu à sociedade sob uma forma, recebe-o ele de volta sob outra.” Karl Marx

Aposto que este modelo de transição o deixa satisfeito.