Lá em casa, ouvi dizer várias vezes que nos andavam a enganar desde o inicio com a história das energias renováveis e que devíamos pensar e apostar numa política energética diferente para o nosso país.
Parece que não estava de todo errado e prova disso é o manifesto por uma nova política energética assinado por 33 conhecidas personalidades da vida económica, empresarial e académica portuguesa e a crónica mais recente de Henrique Raposo:
"Portugal não pode recusar debater a energia nuclear. Os portugueses até podem decidir que não querem o "nuclear", mas devem saber o preço dessa recusa: a electricidade será sempre mais cara.
I. Um grupo de personalidades está a colocar em causa a "energia verde" de José Sócrates. Sobre isto, podemos dizer duas coisas. Primeira: o Ocidente inteiro está a apostar na "energia verde". Portanto, a política de José Sócrates e Manuel Pinho não é assim tão descabida. Segunda: os subscritores do dito manifesto têm razão quando dizem que a "energia verde" é altamente subsidiada, logo, mais cara para o cliente português. E, como é óbvio, este aumento do custo da energia tem consequências negativas na competitividade das nossas empresas.
II. A "energia verde" tem, portanto, um futuro incerto. Esta energia pode vir a ser um peso morto para a economia. Ora, isto abre a porta à energia nuclear, uma energia com um futuro nada incerto. Por toda a Europa, por todo o mundo, aliás, estamos a assistir ao regresso do nuclear. Até porque esta é uma das energias mais amigas do ambiente. Como diz Patrick Moore (um dos fundadores da Greenpeace), o ambientalismo está completamente errado na forma como diaboliza a energia nuclear.
III. A energia nuclear é uma das energias mais limpas. A energia nuclear é a energia mais eficaz (i.e. potente) para criar electricidade. Portugal tem de debater este assunto sem mitos. Podemos escolher ser um dos poucos países desenvolvidos sem energia nuclear (era bom sabermos quantos países da OSDE não têm nuclear). Mas temos de saber que essa opção tem custos elevados."
Agora outro assunto: para quê preocuparmo-nos em fazer um "Plano de Marketing e Comunicação da marca EDP enquanto player global" quando o João Ratão irá receber em ordenados e prémios este ano um total de 3,1 milhões de euros, quando a assembleia geral de accionistas, marcada para 16 de Abril, aprovar as contas de 2009, sendo a EDP é a empresa mais endividada do mercado de capitais português com 14,007 mil milhões de euros (mais 117 milhões do que em 2008)? Só mesmo para chatear um gajo...
segunda-feira, 5 de abril de 2010
"SÉQUESSO"
Adoro ler as crónicas de Henrique Raposo no Expresso. Todos os dias tem um tema novo. Escrita fácil, directa e sempre razão no que escreve. Há 2 anos, respondeu ao problema da Educação, que a semana passada foi debatido no programa Prós e Contas, assim:
“A pátria adora conversar sobre professores. A pátria, porém, nunca fala sobre educação. Portugal ainda não arranjou coragem para lidar com este facto: os alunos acabam o secundário sem saber escrever. Parece que os professores vão fazer uma 'marcha da indignação'. Pois muito bem. Eu também vou fazer uma marcha indignada. Vou descer a avenida com a seguinte tarja: 'os alunos portugueses conseguem tirar cursos superiores sem saber escrever'.
A coisa mais básica - saber escrever - deixou de ser relevante na escola portuguesa. De quem é a culpa? Dos professores? Certo. Do Ministério? Certo. Mas os principais culpados são os próprios pais. Mães e pais vivem obcecados com o culto decadente da psicologia infantil. Não se pode repreender o "menino" porque isso é excesso de autoridade, diz o psicólogo. Portanto, o petiz pode ser mal-educado para o professor. Não se pode dizer que o "menino" escreve mal porque isso pode afectar a sua auto-estima. Ou seja, o rapazola pode ser burro, desde que seja feliz. O professor não pode marcar trabalhos de casa porque o "menino" deve ter tempo para brincar. Genial: o "menino" pode ser preguiçoso, desde que jogue na consola. Ora, este tal "menino" não passa de um mostrengo mimado que não respeita professores e colegas. Mais: este mostrengo nunca reconhece os seus próprios erros; na sua cabeça, 'sexo' será sempre 'sequesso'. Neste mundo Peter Pan os erros não existem e as coisas até mudam de nome. O "menino" não escreve mal; o "menino" faz, isso sim, escrita criativa. O "menino" não sabe escrever a palavra 'recensão', mas é um Eça em potência.
Caro leitor, se quer culpar alguém pelo estado lastimável da educação, então, só tem uma coisa a fazer: olhe-se ao espelho. E, já agora, desmarque a próxima consulta do "menino" no psicólogo.”
Fácil, directo e claro. Não é?
“A pátria adora conversar sobre professores. A pátria, porém, nunca fala sobre educação. Portugal ainda não arranjou coragem para lidar com este facto: os alunos acabam o secundário sem saber escrever. Parece que os professores vão fazer uma 'marcha da indignação'. Pois muito bem. Eu também vou fazer uma marcha indignada. Vou descer a avenida com a seguinte tarja: 'os alunos portugueses conseguem tirar cursos superiores sem saber escrever'.
A coisa mais básica - saber escrever - deixou de ser relevante na escola portuguesa. De quem é a culpa? Dos professores? Certo. Do Ministério? Certo. Mas os principais culpados são os próprios pais. Mães e pais vivem obcecados com o culto decadente da psicologia infantil. Não se pode repreender o "menino" porque isso é excesso de autoridade, diz o psicólogo. Portanto, o petiz pode ser mal-educado para o professor. Não se pode dizer que o "menino" escreve mal porque isso pode afectar a sua auto-estima. Ou seja, o rapazola pode ser burro, desde que seja feliz. O professor não pode marcar trabalhos de casa porque o "menino" deve ter tempo para brincar. Genial: o "menino" pode ser preguiçoso, desde que jogue na consola. Ora, este tal "menino" não passa de um mostrengo mimado que não respeita professores e colegas. Mais: este mostrengo nunca reconhece os seus próprios erros; na sua cabeça, 'sexo' será sempre 'sequesso'. Neste mundo Peter Pan os erros não existem e as coisas até mudam de nome. O "menino" não escreve mal; o "menino" faz, isso sim, escrita criativa. O "menino" não sabe escrever a palavra 'recensão', mas é um Eça em potência.
Caro leitor, se quer culpar alguém pelo estado lastimável da educação, então, só tem uma coisa a fazer: olhe-se ao espelho. E, já agora, desmarque a próxima consulta do "menino" no psicólogo.”
Fácil, directo e claro. Não é?
A revelação ao relento (2)
Eu sei que não foi esta reportagem, mas fica a ideia para quem não viu.Gostei do que escreveste e concordo 100% contigo Felipe. E analisando a tua pergunta ("Grupos de jovens dormem ao relento à porta do pavilhão atlântico para um concerto dos Tokio Hotel que será, sei lá, dentro de uma semana?"), só encontro 2 tipos de resposta: Dormem porque os pais deixam os filhos fazerem o que querem e bem lhes apetece ou Dormem porque nunca ninguém lhes atirou uma pedra à cabeça. A mim parece-me que estão as duas correctas.
Como diz o outro: eu só não sei se esta é uma "Geração rasca" ou uma "Geração à rasca"!
domingo, 4 de abril de 2010
A revelação ao relento
Ouço atrás de mim a repetitiva voz da repórter da Sic Notícias.
O meu prezado avô, que não tive o prazer de conhecer, procurou outra vida num incrível mundo novo. Foi com nada senão esperança, e almoçando e jantando do mesmo recipiente frio, carregando o peso de uma responsabilidade que escolheu e dormindo ao relento construiu do vazio uma vida para si e para os seus que nunca construirei com tudo o que já tenho hoje. Com o tecto que tenho hoje.
E ouço atrás de mim aquela repetitiva voz que me captou a direcção dos ouvidos. Grupos de jovens dormem ao relento à porta do pavilhão atlântico para um concerto dos Tokio Hotel que será, sei lá, dentro de uma semana? Eu percebo esta orgia histérica de uma juventude de quem já não espero mais que uma enfadonha masturbação crónica deste nada vazio oco que consome sua alma que desprezo. Com tristeza. O que de facto me merece espanto são comentários orgulhosos dos progenitores de tais criaturas aprovando tal demonstração pirosa de consonância com actos de debilidade mental universais. Dizem, de boca cheia, sorriso e camisa Lascoste que iriam com os filhos até à China, se eles quisessem, dormir num relento, digamos, um bocadinho mais opressivo.
Esta geração não precisou dormir ao relento. Mas acham fixe e cool os seus filhos dormirem. Por isto. Por isto, até na China! Por isto...
E consegui perceber quem foram os Portugueses que re-elegeram Sócrates.
Caramba, são tantos.
O meu prezado avô, que não tive o prazer de conhecer, procurou outra vida num incrível mundo novo. Foi com nada senão esperança, e almoçando e jantando do mesmo recipiente frio, carregando o peso de uma responsabilidade que escolheu e dormindo ao relento construiu do vazio uma vida para si e para os seus que nunca construirei com tudo o que já tenho hoje. Com o tecto que tenho hoje.
E ouço atrás de mim aquela repetitiva voz que me captou a direcção dos ouvidos. Grupos de jovens dormem ao relento à porta do pavilhão atlântico para um concerto dos Tokio Hotel que será, sei lá, dentro de uma semana? Eu percebo esta orgia histérica de uma juventude de quem já não espero mais que uma enfadonha masturbação crónica deste nada vazio oco que consome sua alma que desprezo. Com tristeza. O que de facto me merece espanto são comentários orgulhosos dos progenitores de tais criaturas aprovando tal demonstração pirosa de consonância com actos de debilidade mental universais. Dizem, de boca cheia, sorriso e camisa Lascoste que iriam com os filhos até à China, se eles quisessem, dormir num relento, digamos, um bocadinho mais opressivo.
Esta geração não precisou dormir ao relento. Mas acham fixe e cool os seus filhos dormirem. Por isto. Por isto, até na China! Por isto...
E consegui perceber quem foram os Portugueses que re-elegeram Sócrates.
Caramba, são tantos.
sábado, 3 de abril de 2010
Joana Vasconcelos - Sem Rede



"Sem Rede" é a primeira exposição antológica da artista plástica portuguesa Joana Vasconcelos ( Museu Colecção Berardo). Reúne cerca de 35 obras elaboradas nos últimos 15 anos e traça uma panorâmica do seu trabalho, dando a conhecer e a conhecer-se.
Vasconcelos olha o mundo actual através de uma singular leitura das mentalidades, mitologias e iconografias da sociedade de consumo. Cruzando tradição e modernidade, a artista questiona a identidade do objectos, vestindo-os com novos significados, revelando-os como nova expressão artística.
Aproximando-se dos princípios "Nouveau Reálisme", e adoptando as estratégias vanguardistas de Marcel Duchamp, Joana difunde o ready-made baseado na justaposição de objectos triviais.
A exposição contempla obras como "A Noiva" (famoso lustre feito de tampões higiénicos), Coração Independente (grandes corações feitos com talheres de plástico) ou "Cinderela", o grande sapato de senhora feito com panelas e respectivas tampas.
Em "Sem Rede", a prática de Joana Vasconcelos apresenta-se sob uma óptica inovadora, que desafia as abordagens dominantes da sua arte como também recria o universo da artista como nenhuma outra exposição.
Vasconcelos olha o mundo actual através de uma singular leitura das mentalidades, mitologias e iconografias da sociedade de consumo. Cruzando tradição e modernidade, a artista questiona a identidade do objectos, vestindo-os com novos significados, revelando-os como nova expressão artística.
Aproximando-se dos princípios "Nouveau Reálisme", e adoptando as estratégias vanguardistas de Marcel Duchamp, Joana difunde o ready-made baseado na justaposição de objectos triviais.
A exposição contempla obras como "A Noiva" (famoso lustre feito de tampões higiénicos), Coração Independente (grandes corações feitos com talheres de plástico) ou "Cinderela", o grande sapato de senhora feito com panelas e respectivas tampas.
Em "Sem Rede", a prática de Joana Vasconcelos apresenta-se sob uma óptica inovadora, que desafia as abordagens dominantes da sua arte como também recria o universo da artista como nenhuma outra exposição.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Parabéns a Nós
Porque estamos todos de Parabéns, proponho que escolhamos uma música/um vídeo que sirva como o Hino do nosso blogue.
1- Celeste Rodrigues-Pode Ser Mentira
2- João Pedro Pais - Mentira
3- Shakira - Hips don't lie
4- Black Eyed Peas - Don't Lie
5- Manu Chao - Mentira
6- 30 seconds to mars - A beautiful lie
7- The Fratellis - Tell Me A Lie
8- Bon Jovi - Lie To Me
1- Celeste Rodrigues-Pode Ser Mentira
2- João Pedro Pais - Mentira
3- Shakira - Hips don't lie
4- Black Eyed Peas - Don't Lie
5- Manu Chao - Mentira
6- 30 seconds to mars - A beautiful lie
7- The Fratellis - Tell Me A Lie
8- Bon Jovi - Lie To Me
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