terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Entretanto, na Venezuela (II)
Ontem, parece que foi a vez de Chavez ter ligado para o Louça a felicitar o facto do BE ter começado a dispender aquela coisa que os sacanas da direita chamam de democracia:
O BE teve uma demissão na mesa nacional. Paulo Silva sai devido ao "profundo desrespeito" por este órgão que reuniu cinco dias antes de Francisco Louçã anunciar a dita moção da vergonha, ups! desculpem, censura. Parece que o assunto não foi à mesa...
Normal, Fernando. Normal.
Agora sim. Agora não. É mais do mesmo: espectáculo político.
E quando digo tudo, é mesmo tudo: desde os sacanas da direita que já "começaram a afiar as facas para tentar disputar o poder" até à jogada política de dizer hoje que não e amanhã que sim, como também refere aqui o Luís de Aguiar Fernandes.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Censuramos
Artigo 194.º
(Moções de censura)
1. A Assembleia da República pode votar moções de censura ao Governo sobre a execução do seu programa ou assunto relevante de interesse nacional, por iniciativa de um quarto dos Deputados em efectividade de funções ou de qualquer grupo parlamentar.
2. As moções de censura só podem ser apreciadas quarenta e oito horas após a sua apresentação, em debate de duração não superior a três dias.
Sim, é o que diz a constituição; isto é, uma moção recai sobre um "um assunto relevante de interesse nacional". É por isso que há moções que têm por substrato o facto de o interesse nacional ser defendido pela aprovação de medidas de direita, e é por isso que há moções que têm por substrato o facto de ser de interesse nacional impedir a contínua aprovação de medidas de direita. (para uma definição concisa do que é uma medida de direita, consultar a Wikipédia ou o orçamento de estado).
A moção que o bloco se propôs apresentar é uma moção que procura censurar as medidas de um governo que acha profícuo flexibilizar o mercado laboral e cortar nos apoios sociais, por exemplo. Medidas que, justamente, fazem salivar a direita.
Dizem: o bloco dá um tiro no pé. Talvez. O bloco dá um tiro no pé se a moção for aprovada, se houver eleições e se for eleito um governo de direita. O que o bloco fez até agora foi pegar na arma e carrega-la.
Para o bloco dar o tiro no pé, o PSD, que é um partido de direita, terá que aprovar uma moção que visa combater medidas de direita. No mínimo chama-se crise de identidade. O que nos leva ao ponto delicioso, em que, para que o bloco dê um tiro no pé, o PSD tem que dar dois tiros no pé: um ao aprovar uma moção com uma orientação com a qual não concorda. Outro, ao ser eleito com um programa de governo que dá maximiza ou dá continuidade ás medidas tomadas pelo governo anterior que levaram esse governo a cair, e que permitiram que o PSD apresentasse esse programa de governo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
and now for something completely different (IV)
Desde que a Aldeia aparece nos manuais de história que o Oito é o seu habitante mais afável. Correm boatos que não é como os outros residentes, que em vez de respirar graceja, e isso, é o que lhe enche os pulmões de vida. Chega, não obstante, a ser irritante, como daquela vez em que empurrou o Nove do sexto piso do edifício da junta de freguesia. O Nove era enfezado e passava os dias a regar as plantas da Aldeia. Era organizado, meticuloso e aborrecido. Numa das vezes em que regava papoilas de uma varanda, o Oito encontrou-o e deteve-se, caminhou em bicos dos pés e deu-lhe uma pancada nas costas como quem diz Então pá! e o Nove, por ser assustadiço, deu um salto e caiu da varanda. Não se sabe se foi descuido ou se houve pitada de pré-meditação, o certo é que o Oito há muito se queixava de perseguição, murmurando achar que o Nove andava atrás dele, sempre e para todo o lado. Quando caiu, o Nove partiu a perna, mas o que mais o chateou foi não ter conseguido impedir que a sua cabeça fosse esbarrar contra o Três. Se há habitante contra quem não queremos esbarrar , é o Três. O Três é um ex-militar que combateu em todas as guerras que envolveram a Aldeia. Robusto, o treino marcial deu-lhe músculos curvados e a guerra deu-lhe o sentimento animal de contrair tédio em tempos de paz. Tédio que procurava acerrimamente afastar em brigas mais ou menos regulares. Por isso, ninguém queria esbarrar com ele. Se o Nove ainda tivesse perna, certamente não iria esbarrar com ele. Após a colisão, logo o Três pegou na cabeça que contra ele foi e pensou, com o cérebro de quem não deve muito à astúcia, que aquela bola algo teria a ver com o Zero. Foi então tocar à campainha do loft onde vivia o Zero, que rapidamente apareceu à porta, de roupão e a fumar. Perguntou o Três, O filho é teu? Pouco se sabe acerca do Zero. É um habitante que se não existisse, tinha que ser inventado. O Zero respondeu Vai-te fuder e começou a chorar. Dizem que o Zero é estéril. Claro que também ouviu os ensinamentos, Crescei e multiplicai-vos, mas até agora, tudo o que conseguira foi crescer. O Três sempre achou o Zero um pouco dado a demências então, não insistiu na briga, limitou-se a cuspir na porta e bramir Não vales nada. Mal o Três sabia, que o Zero era de direita.