domingo, 5 de junho de 2011

o partido com paredes à prova de constantes ataques mediáticos (IV)

Fernando, cada vez mais começo a concordar com o Daniel Oliveira.
Isto começa a ser perigoso...

"Outro partido que terá de entrar em período de reflexão é o meu. Mais tarde, com calma, falarei sobre isso. Nada que não tenha dito e escrito antes da campanha (em que participei, deixando o debate para mais tarde). Sendo apenas certa uma coisa: se o Bloco quer ser cópia do PCP, não só existe o original (que resulta para o seu próprio eleitorado), como, assim, o BE se afasta da sua base de apoio natural. O ziguezague na sua estratégia e a irresponsabilidade de algumas opções recentes foram punidas pelos eleitores. Espera-se reflexão séria e responsabilização dos dirigentes. A derrota é demasiado pesada para ser ignorada ou para se esperar por dias melhores" (Daniel Oliveira no Arrastao)

and now for something completely different (VI)

Western em cinquenta e oito segundos

Não vás, eles matam-te, repetia o rapaz ferido. Sangrava do peito e do joelho esquerdo. Os dois entraram no estábulo lentamente. O rapaz franzino suportava o peso do ferido, por isso caminhavam lentamente. Deitou-o num monte de palha. Lá fora, homens a cavalo. Não vás, eles matam-te, repetia o ferido. Dói-te, perguntou o franzino, ao mesmo tempo que fechava os olhos para não chorar. Tinha medo. Dói-me, mas não vás, eles matam-te. O rapaz ferido ouviu o som de balas a entrar no depósito do revólver, O que estás a fazer, inquiriu. Nada, descansa, ainda te dói? A dor estava a passar. Não vás, eles matam-te. O rapaz franzino não conseguiu sentir o pulso ao ferido. Beijou-lhe demoradamente a testa. Tirou do bolso o lenço com as iniciais do seu nome, que a sua irmã bordara. Limpou o suor. Tinha medo. Havia silêncio no estábulo e ouviu Não vás, eles matam-te.

Levantou-se, caminhou para a saída.

Lá fora era Outono e fim de tarde. O céu era fogo. Os milhafres voavam acima da bruma, alheios à incivilidade do homem.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

and now for something completely different (V)

O agente Henriques corava sempre que lhe diziam que era uma pessoa extremamente atenta. Sabia ser verdade, então mentia quando acrescentava 'Não sou nada'. É certo que se não fosse uma pessoa extremamente atenta, não teria notado aquela pequena criança a esboçar um sorriso, mesmo ao cruzar da esquina. Deu logo uma cotovelada ao colega agente, em sinal de alerta. Por ser uma pessoa extremamente atenta, o agente Henriques conhecia as leis. E sabia que há anos que no país vigorava a malograda lei que previa a punição severa a quem ousasse rir ou sorrir. Legitimavam os legisladores, que o riso prejudicava a produtividade.


Os agentes interpelaram a criança violentamente, que por ter ficado em tamanho sobressalto, apontou e respondeu sem medir consequências, 'está ali um palhaço'. O agente Henriques, e por além de extremamente atento ser extremamente perspicaz, reparou logo num homem com idade avançada que se deslocava com andar suspeito, como se estivesse a forçar os pés para não caminhar como Charlot caminhara. O agente Henriques segurou o cassetete antes de colocar a mão no ombro do homem. Amedrontado, o homem ainda negou a calúnia de ser palhaço, mas não pode confrontar os factos, quando o agente lhe descobriu por baixo do olho direito vestígios de tinta preta. 'Aposto que era um lágrima pintada, patife'.


O Palhaço foi levado para uma esquadra de alta segurança. Se a pena era pesada para os que riam, mais pesada era para os que faziam rir. O Palhaço incorreu numa pena de cinco a vinte e cinco anos de prisão. Começou a cumprir sentença dois dias depois de ser capturado, por obra de um julgamento sumário onde, e passo a redundância, nenhum palhaço o ousou defender.


Por ter dentro do seu invólucro de palhaço um homem de sérias convicções, o Palhaço decidiu, na prisão, recomeçar o seu ofício. Numas quantas tardes clandestinas, actuava para um grupo restrito de vizinhos de cela. A ritmo considerável, o grupo inchou. Inchou ao ponto de todos os presos estarem incluídos. Claro que os agentes, por serem atentos, repararam que a uma hora pontual, todos os reclusos desapareciam. Investigaram com toda a atenção e foram subtilmente dar com o esconderijo das palhaçadas. Remeteram o ofensivo caso para instâncias superiores que responderam atempadamente com um cordial 'Não sabemos que fazer'. E ninguém sabia, de facto. Não havia pena de morte nem tortura, porque das poucas vezes em que tentaram aplicar essas penas, as entidades responsáveis não conseguiram conter o riso na altura dos actos. Não continham os ataques de riso perante as caras dos torturados e dos mortos. Então, para não obrigar as instâncias superiores a incorrer em crimes graves, não havia tortura nem pena de morte. O mais que se podia fazer era engrossar a pena de prisão aos presos.


Quando o tentaram, os presos riram. Não se importavam. Ali eram felizes, podiam rir com as palhaçadas do Palhaço. E dar-lhes mais tempo de riso por estarem a rir, era uma receita saborosa para os enclausurados. Rapidamente a prisão se encheu de condenados a prisão perpétua. Condenados que não se importavam de o ser: podiam agora livremente passar o dia a rir. Coisa que não podiam fazer em liberdade.


Ao exterior, as notícias chegaram rápido. Numa cadeia de insubordinados, os presos começaram a rir, à revelia da lei. Coisa curiosa, pensavam as pessoas. Fartas do cinzentismo da vida quotidiana em que não podiam rir, as pessoas começaram a fazer contas à vida, e arranjar esquemas para poderem ir presas.


A epidemia alastrou. A já grande prisão no país teve que ser aumentada. Aos poucos, os guardas começaram a não resistir e sucumbiram também eles ao riso. Começaram a prender-se uns aos outros. Ficou por último um guarda solitário, que era já das pessoas que mais ria na prisão. Não havia guardas para o prender. As pessoas continuavam a pingar nas celas, ao ritmo de chuva tropical. A lei mantinha-se intocável. Fora daquelas paredes, ninguém podia rir. A já grande prisão no país teve que ser aumentada.


Passados anos, já não se distinguia o mundo da prisão nem a prisão do mundo. E tempos depois, até foi o agente Henriques, extremamente atento, que disse para uma criança que cruzava um esquina 'Porta-te bem ou vais presa. E na prisão há uma lei que te impede de rir'.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

progresso, ambiente e expropriação miúpe

Que pertinente questão levantada pelo Luís, aqui.

em resposta






Capítulo I


O André acha que o Bloco vai morrer

O Bloco morreria enquanto partido se as suas propostas deixassem de ser corajosas, ousadas, se perdessem o sentido ou a pertinência. Isso não acontece. O que varia é a receptividade do eleitorado a essas propostas. Podemos discutir esse assunto com a certeza de que não se pode trocar o povo que vota. Da parte do Bloco, pode-se acrescentar a certeza de que os programas com que se apresenta e irá apresentar a sufrágio são programas eleitorais e não programas eleitoralistas. São programas que percorrem um caminho e procuram, pouco a pouco, enraizar-se na sociedade e chamar à razão a consciência da maioria das pessoas. (Paternalismo à parte, maioria essa que ainda não compreendeu que anda a ser roubada, ou vive na esperança de um dia poder vir a roubar). Os programas do bloco são programas que não perdem identidade, nem desistem de convicções. Por isso, a sua aceitação pode descer dos 10% para os 6%, que a resposta para os teus vaticínios de morte é mesmo essa: o bloco de esquerda não desiste. Dorme descansado :)


e nota: estamos a falar de sondagens. Que além de sondagens são sondagens com indecisos a rondar os 40%.



Capítulo II


O que é a perda de identidade?











Capítulo III

Apesar de o Bloco não ser um partido vulgar, não é vulgar que um partido suba sempre de eleição para eleição

Recordo-te que o teu PSD já foi capaz de votações na ordem dos 50%, como já as teve a rondar os 20%. Recentemente baixou dos 40% para os 28/29% e, infelizmente, continua bem vivo.



Capítulo IV


Acerca da troika e dos jovens

Eu perguntava... Mas as pergunta vêm da parte de quem? De ti, do Henrique Raposo, do Bruno Faria Lopes ou da maioria da geração à rasca que se manifestou no 12/03 contra a precariedade, por quem todos falam e a quem poucos ouvem?




Capítulo V


Vamos falar de coisas sérias


André, ele fica melhor assim ou assim? :D

Best of Sócrates, o último episodio

Veja o vídeo abaixo (serviço público do 31 da Armada) e perceba o porquê deste cartoon que se segue: