quarta-feira, 13 de julho de 2011
o trabalho liberta
O sistema neoliberal que afoga os nossos dias chegou e enraizou-se envolto numa promessa tentadora: liberdade. Foi o desejo de liberdade, legítimo e compreensível, que permitiu a este novo liberalismo ser acolhido de braços abertos pelas populações. Odeie-se qualquer alusão ao Estado, socialização ou planificação, porque tudo isso não é mais que "rampa inclinada" para o autoritarismo, apregoa-se. Mas, por falar em contradições: não é a empresa capitalista um espaço completamente planeado de cima para baixo? Se fugir à planificação é a bandeira dos ditos liberais, seria sensato escolher uma de duas vias: democratizar a empresa ou limitar o tempo de confinação a esse espaço profundamente planificado. A segunda receita parece simples, resume-se a reduzir os horários de trabalho e diminuir as idades de reforma. É descabido encontrar uma profunda contradição no facto de ser justamente prática deste sistema neoliberal o aumento dos horários de trabalho e o aumento da idade da reforma? Já Hayek dizia "For most of us the time we spend at our work is a large part of our whole lives, and our job usually determines the place where and the people among whom we live." Não sei, mas a sério que não há por ai desses liberais à moda Austríaca a achar estranho que um liberal à moda Austríaca se conforme com " large part of our whole lives" passado num espaço rigidamente planeado? Qual era mesmo o problema de uma maior divisão dos tempos de trabalho? É que isso torna a empresa menos competitiva, estúpido! Ah, maldita competitividade neoliberal, pedra basilar da liberdade prometida.
sábado, 9 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Ainda Ratings
Fuck you
Na sequência disso, Pedro & Hugo, uma dupla de criativos aproveitou um tempo livre entre o seu trabalho na BBDO e mandou uma carta para a sede da Moody's em Nova Iorque. Uma carta com um pedaço de Portugal como ele é visto pela Moody's.
Ainda a questão dos votos…
No entanto, creio que há uma outra questão sobre o comportamento da sociedade portuguesa na altura do acto eleitoral que a meu ver parece ser pertinente ser discutida. Ouço dizer na tv que existe cada vez mais um desfasamento entre os políticos e os eleitores portugueses. Ouço dizer na tv que os portugueses estão descrentes na classe política e que desprezam a sua profissão. Ouço dizer que é necessário contornar os dados da abstenção (sobre a actualização dos boletins de voto, eu já nem comento, porque não há mais nada a dizer).
(tabela retirada da Wikipedia)
Li no Expresso, 18 de Junho de 2011, na coluna do Nicolau Santos um texto interessante para contornar este problema. Por mim, subscrevo e aplaudo.
“Ainda o voto obrigatório”
Sustentei aqui na semana passada que o voto devia ser obrigatório. O leitor Bernardo Alegria, advogado e empresário vitivinícola e oleícola, sugere uma abordagem menos generalista da questão, mantendo o voto facultativo, mas restringindo-o em certas situações.
A saber: a qualquer contribuinte que solicite um benefício fiscal ou social deverá ser exigido a participação no acto eleitoral anterior e em todos os actos que vierem a ter lugar durante o período em que durar a situação de benefício. A justificação é que para quem pede esse apoio à sociedade, será igualmente legítimo que a sociedade o condicione à obrigação do cumprimento de deveres essenciais ao bom funcionamento dessa mesma sociedade.
Esta obrigação acaba por ter uma vertente pedagógica para os mais novos que não adquiriram hábitos de participação eleitoral, mas que são os primeiros a solicitar os apoios que a sociedade disponibiliza. Por exemplo, a quem é dada a isenção de IMI seria exigida a participação nos actos eleitorais, sob pena da suspensão da isenção. A liberdade de ir ou não votar continuaria a ser completa, mas a não participação acabaria por ter implicações para os que só valorizam direitos ignorando as suas obrigações para com a sociedade.
Por mim, subscrevo e aplaudo.”

