quinta-feira, 6 de setembro de 2012
sábado, 1 de setembro de 2012
Addendum ao Post, ‘Coisas que até fazem sentido…’ — ou o que há de económico nos psicopatas.
Caros,
um amigo comentou comigo o meu post em conversa no facebook. Disse-me que gostou do ‘pena é’ e de eu usar a expressão ‘choca’ numa frase sobre ovos. Disse-me ainda que sentiu a ‘sensaçao crua’ que descrevi no Hostel. Eu não vi o Hostel mas tenho as minhas dúvidas. Pelo que sei, é um filme violento e um pouco sujo. O Funny Games é clean e não é violento (ou pelo menos, não é isso que uma pessoa guarda do filme).
Lamentei-me que o post não era tão bom como eu inicialmente o imaginara (enquanto vinha do talho). Lamentei-me que não estava claro o que havia de económico na diferença entre os psicopatas e os rapazes. Ao lamentar-me, tentei explicar-me — explicar-lhe — melhor. Seguem os frutos dessa conversa.
(Nota: não vale a pena ler este post sem ler o post anterior, que para quem não leu, aviso, é longo.)
Matar para os rapazes é como beber uma frize quando se está mal disposto: ‘Ah, estou tão mal-disposto' — 'Ah, estou na mesma…’
Toda pessoa age segundo o seu interesse próprio. Porém, a partir do momento em que a escolha é indiferente, outros criterios kick-in.
No caso do psicopata, a escolha ‘matar ou não matar’ não é indiferente: existe um cálculo de custos e benefícios, o prazer próprio imediato, pela matança (ganho), e o custo, o seu eventual encarceramento (risco ou custo) e o desgosto do outro e da sua família (custo). No caso dos rapazes, tal escolha é indiferente: não existe cálculo — e a perda do outro é gratuita. (Quer dizer, não é totalmente gratuita mas o ganho marginal é mínimo e facilmente substituível. Para mais se comparado com a perda.)
A perda não corresponde a um ganho significativo dos rapazes, que matam por prazer, mas que podiam comer uma sandwish ao invés. There is no urge to kill in them. O mesmo ganho poderia ser obtido sem perda de outrém. Ceteris paribus,* os rapazes e o resto do pessoal podiam estar better-off. Eles, iguais, a família, melhor: viva!
*'Ceteris paribus' é, como todos sabem, uma espécie de atum.
Um psicopata se não matasse não teria um standard de living tão bom como se matasse alguém. Os rapazes teriam se comessem uma sandwish ao invés.
Em termos de welfare, só existe uma tentativa de equilibrio com o psicopata.
Ceteris paribus, o psicopata está better-off matando, os rapazes nem por isso. Ou seja, no cômputo geral, a felicidade geral da população mantem-se estável se o psicopata matar o sem-abrigo: é mau para o sem-abrigo, bom para o psicopata. Existe um equilíbrio ou, pelo menos, nem tudo são perdas. A distribuição de welfare altera-se mas não o resultado agregado. Os psicopatas são pois um problema de distribuição do welfare, injusto mas como que equilibrado, e os rapazes um problema de resultado do welfare, que diminui — e que uma alternativa, comer a sandwish, estava mesmo à mão. Especialmente porque eles foram pedir ovos. Podiam comer uma sandes de ovo. Todos ficariam melhor. 'Omeletes for a better world ' — podia ser a mensagem do filme.
(É claro que tudo isto é falso — são loose thoughts.)
And so what? The text to the test.
Expliquei no outro texto a confusão que me fazia. Disse porém não tinha plena consciência da razão que justificava o meu terror pelos rapazes, por oposição ao horror (moderado) dos psicopatas. Disse que tal consciência implicou um raciocínio do tipo económico, que apresentei na altura e ao qual acrescentei aqui algumas notas. O ponto é o mesmo: a irracionalidade absoluta do rapazes. Agem por interesse próprio mas não tem dúvidas, não sentem thrill, a matança é banal — just killing people, as usual. O título diz tudo, não diz: Funny games. Não passe de um jogo, sem objectivo, como todos os jogos. E não são awesome, são funny, como a Powepuf girls do 'Cartoon Network.'
('Os jogos não têm objectivo.' E marcar golos é o quê? Os jogos têm objectivos internos ou intrínsecos, próprios ao jogo. 'Qual é o objectivo do jogo?' — 'Marcar golos!' — 'Mas para quê?' — 'Porque isso é jogar o jogo…' É redundante: o jogo joga-se porque sim. Objectivos extrínsecos não contam…ok, isto vai demorar mais tempo a explicar do que eu pensava, vou deixar a meio, lamento. Boa noite.)
(A quem não entender partes do texto, não se preocupe: foram trechos que provavelmente correspondem a private jokes com eventuais leitores do blog, ou comigo mesmo, ou com futuras pessoas para quem, em retrospectiva, techos do texto parecerão private jokes. Otherwise, just gibberish.)
Universidades de Verão destas vidas
Parece que a Universidade de Verão do PS que servia para formar 100 jovens quadros da JS transformou-se num Programa de Novas Oportunidades para "velhos" quadros desocupados do PS..
Descubra as diferenças...
[Foto da UV do PSD de 2011 em que participei]
Descubra as diferenças...
[Foto da UV do PSD de 2011 em que participei]
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
Coisas que até fazem sentido mas que eu nunca tinha percebido até agora, e que percebi hoje enquanto ia comprar bifes de frango ao talho
Olá,
desde mais, um teaser de frases giras que podem ser lidas neste post:
Não interessa. Interessam sim os exemplos que eu dou, a saber, dois filmes. Um deles (o que iliustra o primeiro povo, perverso) chama-se Funny Games e têm duas versões (1997 e 2007). Deixo aqui abaixo os trailers de uma e outra versão.
A estória do filme é simples. Uma família (casal e filho) está de férias na sua magnífica casa de campo. Chegam dois jovens que lhes pedem ovos. São bem educados e estão bem vestidos (todos de branco, mas com luvas, brancas também — pormenor estranho).
Dos ovos à matança generalizada é um passo. Nunca me aconteceu tal coisa enquanto fazia omeletes, mas a verdade é que não sou chef, se calhar uso os ingredientes errados.
Os dois rapazes fazem uma aposta com a família: eles apostam que a família estará morta dentro de 24h e a família aposta que não estará morta. Não vos digo quem ganha.
E assim se passa o filme. Agora, qual é a motivação daqueles rapazes? A dada altura a Naomi Watts pergunta a um dos jovens qualquer coisa como, 'mas porque é que não nos mata, simplesmente?' O rapaz responde-lhe, 'Não se pode esquecer a importância do entretenimento…' (Esta observação serve não apenas ao uso da violência como diversão — eles quererm divertir-se — como ao uso da violência por parte do cinema, para entreter quem vê.)
Pronto, eles querem divertir-se. Pena é que gente tenha de morrer. Ao que parece, algo de semelhante acontece quando uma pessoa compra coisas feitas por crianças vietnamitas, etc.: contribui para a sua escravidão, etc. Mas o sentimento não é o mesmo, somos cúmplices, não assassinos tais quais. O eventual sofrimento dessas crianças é um efeito colateral de um prazer nosso.
Os rapazes não: eles divertem-se na tortura e na matança.
Porventura comeram ovos estragados. Não sei. Sei sim que choca. A banalidade do mal parece pior que tudo. Noutra conversa pré-formatada que tenho, falo neste filme como o primeiro filme evil que vi. Para eles não passa de um jogo — Funny Games. E isso é o pior! É um jogo e eles nem parecem divertir-se assim tanto! Eles não são psicopatas tout court. Não existe um prazer imenso de matar, uma pessoa não compreende a sua motivação. Porquê? Esta estória sempre me pareceu infinitamente pior do que qualquer estória de psicopatas. Nunca percebi exactamente porquê. Hoje percebi, creio, enquanto ia ao talho comprar bifes de frango.
Eu compreendo um psicopata. Leia-se, eu entendo que se ele tem um imenso prazer de matar e sente uma necessidade de, então ele tenderá a matar (salvo auto-controlo). Eu não compreendo a origem do desejo nem o prazer que há em matar (como vos disse, eu sou um pobre cozinheiro, que faz omeletes relativamente normais). Agora, eu compreendo que existindo tal desejo, seja natural matar.
A minha análise tem contornos pensamento económico.
Eu não compreendo aqueles rapazes. Ceteris paribus, um psicopata tem de pesar pelo menos se o seu prazer extremo compensa o desconforto que é para a outra pessoa, falecer. (Daí que o Christian Bale no American Psycho, que mata(?) um sem-abrigo, que não faz falta — e não dá cadeia.) Existe aqui um cálculo. Existe um benefício claro para o psicopata. Pena é que dependa da morte alheia. Para os rapazes, não existe cálculo. Eles divertem-se, mas não particularmente! Ou seja, existiriam muitas outras actividades que lhes dariam prazer e que não implicariam a morte da família. A relação custo-benefício não existe aqui, e existe no caso do psicopata. Qualquer outra actividade escolhida não implicaria, ceteris paribus, a morte de alguém. Por isso é que é perverso: não faz sentido, está para lá da nossa compreensão. É o dito 'mal radical' porque não é passível de justificação, vá, racional:
O Stalin terá morto mais gente do que o Hitler mas no primeiro caso parecia haver um cálculo (assim ficou para história vulgar). A morte era um meio para atingir um fim. Eu não concordo nem com um fim nem com o meio nem com o uso do meio para o fim. Ou seja, outros meios haveriam para atingir o fim (menchevequismo); Stalin optou por aquele meio. Uma pessoa condena o Stalin como pessoa que não olhava a meios para atingir os seus fins. E condena-o porque os seus fins eram horríveis: 'o comunisno é uma má ideia', 'estava ébrio de poder', 'os russos são loucos'. Enfim, tudo factos.
O mesmo não acontece com o Hiitler. O fim e o meio parecem confundir-se (pelo menos, na história vulgar como eu a recebi e interpretei em idas a supermercados).
Spoiler alert: eu disse que 'existiriam muitas outras actividades que lhes dariam prazer e que não implicariam a morte da família' e que 'os rapazes matam…'. Evitei os parênteses na que é a passagem central do post. Não interessa se eles de facto matam ou não a família — o ponto não é esse. Eles queriam matar e o prazer, moderado, dos rapazes implicava a morte da família.
P.S.: Fui comprar bifes de frango ao talho (peito de frango fatiado) porque os que estavam cá em casa estavam um pouco morrinhentos. Comprei a 6,46/Kg. Prefiro ir a talhos porque não confio tanto na carne embalada dos supermercados.
[A analogia não é perfeita entre o Stalin e o Hitler e até me leva a outras especulações, que porém não vou explorar aqui porque o post já vai longo. Deixo aqui apenas a direcção. Há cálculo no Stalin mas não no Hitler tal como existe cálculo no psicopata mas não nos rapazes. Mas o Hitler pode ser interpretado como um psicopata. E nesse caso, o que seria pior, o Hitler ou o seu irmão gémeo, num universo paralelo, que tenha feiro exactamente o mesmo mas sem sentir especial prazer — só porque sim. Quem seria pior? Será que levando os exemplos ao extremo existe uma inversão na nossa intuição sobre a perversidade? Ou seja, se falarmos não na morte de uma família mas se estendermos a morte a milhares e milhões de pessoas, será que a banalidade do mal é percebida de uma forma diferente? Ou seja, entre o psicopata e os rapazes, os rapazes são mais perversos — mas entre o Hitler-psicopata e o Hitler-rapaz, o Hitler-piscopata é mais perverso?]
desde mais, um teaser de frases giras que podem ser lidas neste post:
[E]u compreendo que existindo tal desejo, seja natural matar. (…) Dos ovos à matança generalizada é um passo. (…) A minha análise tem contornos pensamento económico. (…) Achava que 'saladas de fruta' era um um legume.Há muitas conversas que eu tenho para mim e que são ready-mades. De tempos a tempos, se apropriado, lá tenho o meu dois minutos de conversa planeado, ensaiada quase, de tantas vezes repetidas. Um desses trechos de conversação refere-se aos ditos 'povos perversos.' Eu finjo ter a opinião que 'existem dois povos perversos no mundo, pata ti pa tatá'.
Não interessa. Interessam sim os exemplos que eu dou, a saber, dois filmes. Um deles (o que iliustra o primeiro povo, perverso) chama-se Funny Games e têm duas versões (1997 e 2007). Deixo aqui abaixo os trailers de uma e outra versão.
A estória do filme é simples. Uma família (casal e filho) está de férias na sua magnífica casa de campo. Chegam dois jovens que lhes pedem ovos. São bem educados e estão bem vestidos (todos de branco, mas com luvas, brancas também — pormenor estranho).
Dos ovos à matança generalizada é um passo. Nunca me aconteceu tal coisa enquanto fazia omeletes, mas a verdade é que não sou chef, se calhar uso os ingredientes errados.
Os dois rapazes fazem uma aposta com a família: eles apostam que a família estará morta dentro de 24h e a família aposta que não estará morta. Não vos digo quem ganha.
E assim se passa o filme. Agora, qual é a motivação daqueles rapazes? A dada altura a Naomi Watts pergunta a um dos jovens qualquer coisa como, 'mas porque é que não nos mata, simplesmente?' O rapaz responde-lhe, 'Não se pode esquecer a importância do entretenimento…' (Esta observação serve não apenas ao uso da violência como diversão — eles quererm divertir-se — como ao uso da violência por parte do cinema, para entreter quem vê.)
Pronto, eles querem divertir-se. Pena é que gente tenha de morrer. Ao que parece, algo de semelhante acontece quando uma pessoa compra coisas feitas por crianças vietnamitas, etc.: contribui para a sua escravidão, etc. Mas o sentimento não é o mesmo, somos cúmplices, não assassinos tais quais. O eventual sofrimento dessas crianças é um efeito colateral de um prazer nosso.
Os rapazes não: eles divertem-se na tortura e na matança.
Porventura comeram ovos estragados. Não sei. Sei sim que choca. A banalidade do mal parece pior que tudo. Noutra conversa pré-formatada que tenho, falo neste filme como o primeiro filme evil que vi. Para eles não passa de um jogo — Funny Games. E isso é o pior! É um jogo e eles nem parecem divertir-se assim tanto! Eles não são psicopatas tout court. Não existe um prazer imenso de matar, uma pessoa não compreende a sua motivação. Porquê? Esta estória sempre me pareceu infinitamente pior do que qualquer estória de psicopatas. Nunca percebi exactamente porquê. Hoje percebi, creio, enquanto ia ao talho comprar bifes de frango.
Eu compreendo um psicopata. Leia-se, eu entendo que se ele tem um imenso prazer de matar e sente uma necessidade de, então ele tenderá a matar (salvo auto-controlo). Eu não compreendo a origem do desejo nem o prazer que há em matar (como vos disse, eu sou um pobre cozinheiro, que faz omeletes relativamente normais). Agora, eu compreendo que existindo tal desejo, seja natural matar.
A minha análise tem contornos pensamento económico.
Eu não compreendo aqueles rapazes. Ceteris paribus, um psicopata tem de pesar pelo menos se o seu prazer extremo compensa o desconforto que é para a outra pessoa, falecer. (Daí que o Christian Bale no American Psycho, que mata(?) um sem-abrigo, que não faz falta — e não dá cadeia.) Existe aqui um cálculo. Existe um benefício claro para o psicopata. Pena é que dependa da morte alheia. Para os rapazes, não existe cálculo. Eles divertem-se, mas não particularmente! Ou seja, existiriam muitas outras actividades que lhes dariam prazer e que não implicariam a morte da família. A relação custo-benefício não existe aqui, e existe no caso do psicopata. Qualquer outra actividade escolhida não implicaria, ceteris paribus, a morte de alguém. Por isso é que é perverso: não faz sentido, está para lá da nossa compreensão. É o dito 'mal radical' porque não é passível de justificação, vá, racional:
Tenho de escolher entre as opções A e B, e a obtenção de A e B é-me indiferente. Como decidir? Se A=B, para mim, o meu critério deveria ser então: qual o benefício/prejuízo para os outros? (Os outros aqui podem ser quem vocês quiserem: do cão da vizinha à sociedade portuguesa — e todos os bancos de jardim que existem entre os dois).Os rapazes matam só porque sim — e é isso que não é passível de compreender.
O Stalin terá morto mais gente do que o Hitler mas no primeiro caso parecia haver um cálculo (assim ficou para história vulgar). A morte era um meio para atingir um fim. Eu não concordo nem com um fim nem com o meio nem com o uso do meio para o fim. Ou seja, outros meios haveriam para atingir o fim (menchevequismo); Stalin optou por aquele meio. Uma pessoa condena o Stalin como pessoa que não olhava a meios para atingir os seus fins. E condena-o porque os seus fins eram horríveis: 'o comunisno é uma má ideia', 'estava ébrio de poder', 'os russos são loucos'. Enfim, tudo factos.
O mesmo não acontece com o Hiitler. O fim e o meio parecem confundir-se (pelo menos, na história vulgar como eu a recebi e interpretei em idas a supermercados).
Spoiler alert: eu disse que 'existiriam muitas outras actividades que lhes dariam prazer e que não implicariam a morte da família' e que 'os rapazes matam…'. Evitei os parênteses na que é a passagem central do post. Não interessa se eles de facto matam ou não a família — o ponto não é esse. Eles queriam matar e o prazer, moderado, dos rapazes implicava a morte da família.
P.S.: Fui comprar bifes de frango ao talho (peito de frango fatiado) porque os que estavam cá em casa estavam um pouco morrinhentos. Comprei a 6,46/Kg. Prefiro ir a talhos porque não confio tanto na carne embalada dos supermercados.
[A analogia não é perfeita entre o Stalin e o Hitler e até me leva a outras especulações, que porém não vou explorar aqui porque o post já vai longo. Deixo aqui apenas a direcção. Há cálculo no Stalin mas não no Hitler tal como existe cálculo no psicopata mas não nos rapazes. Mas o Hitler pode ser interpretado como um psicopata. E nesse caso, o que seria pior, o Hitler ou o seu irmão gémeo, num universo paralelo, que tenha feiro exactamente o mesmo mas sem sentir especial prazer — só porque sim. Quem seria pior? Será que levando os exemplos ao extremo existe uma inversão na nossa intuição sobre a perversidade? Ou seja, se falarmos não na morte de uma família mas se estendermos a morte a milhares e milhões de pessoas, será que a banalidade do mal é percebida de uma forma diferente? Ou seja, entre o psicopata e os rapazes, os rapazes são mais perversos — mas entre o Hitler-psicopata e o Hitler-rapaz, o Hitler-piscopata é mais perverso?]
terça-feira, 7 de agosto de 2012
'Fanáticos dos popós' destas vidas
Como já devem ter reparado, o Económico, anda numa fase de inquéritos. 1º foi a votação para melhor CEO, que ganhou o Mexia. Depois foi a votação para o maior lobby português, que ganhou a Igreja. Agora é a vez dos portugueses votarem no melhor 1º ministro de portugal de sempre. Sócrates, para já, vai à frente. O fdp que arruinou o futuro das próximas gerações, para já, vai à frente. Então mas fdp não quer dizer 'fanático dos popós'? Ok. Então retiro o que disse.
Boas férias.
(carregar na imagem para ampliar)
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Bernardo procura emprego
Bernardo tinha na sua carteira uma conselheira fiel. Quando ficou suficientemente vazia por um período de tempo suficiente, Bernardo ouviu dela o parecer: vai arranjar emprego. E foi. Na primeira entrevista vestiu o fato que adaptara do antigo traje académico. Chegou pontualmente à sede da empresa, rejeitou altivo o café que lhe ofereceram e entrou no gabinete que lhe indicaram. Passada meia hora de conversa com a responsável dos recursos humanos, foi alvejado com um “você não tem espírito empreendedor”.
O Bernardo aprendeu a ser persistente com as folhas do pinheiro bravo que avistava da minúscula janela do seu quarto alugado. Não desistiu. Dias depois, vestiu o mesmo fato e desta feita superou-se. Aguentou quarenta minutos antes de levar com um “desculpe, falta-lhe espírito de sacrifício”.
Claro que o Bernardo não desistiu por aqui, não vacilou nem perdeu convicção. Era um rapaz duro. Aprendeu-o com o mesmo pinheiro, o qual se mantinha inerte fosse qual fosse a voracidade do vento. Na terça-feira seguinte, voltou a uma entrevista. Aí levou uma lição que faria cair a auto-estima de qualquer um. Disseram-lhe, apenas vinte minutos volvidos, “não tens espírito crítico”.
Vestiu o mesmo fato e foi à quarta entrevista. Despacharam-no a dizer que não revelava espírito de grupo e entreajuda. Sentiu-se diminuído na sua própria lucidez, por não entender como lhe haviam avaliado o espírito de grupo, se a entrevista era individual.
Foi a machadada final. Não em si próprio, note-se, machadada final no pinheiro bravo que avistava da minúscula janela do seu quarto alugado. As próximas lições da velha árvore seriam de música, usando o som do seu próprio crepitar numa lareira de Inverno. Bernardo, esse contornou o seu fado. Cobriu-se de latas e pendurou-se num canto do seu quarto. Por ali ficaria a servir de espanta-espíritos.
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