sexta-feira, 12 de abril de 2013

Da série: "A situação que se vive no Sporting é um espelho da situação que se vive no País" (IV)

Expresso, 12 de Abril de 2013: A reunião de Vítor Gaspar correu bem. Portugal chegou a acordo com o Eurogrupo (ministros das finanças da zona euro). A Troika (FMI, BCE e CE) vai emprestar dinheiro outra vez para Portugal pagar salários.

Expresso, 12 de Abril de 2013: A reunião de Bruno de Carvalho correu bem. O Sporting chegou a acordo com a Banca (BCP e BES). A Banca vai emprestar dinheiro outra vez para o Sporting pagar salários.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Da série: "A situação que se vive no Sporting é um espelho da situação que se vive no País" (III)

"Se as pessoas se derem ao trabalho de ler as contas auditadas, está tudo dado como garantia, por muito dinheiro que entre no Sporting, se as pessoas que quiserem, não há nenhum. As negociações com as entidades bancárias estão a decorrer e nenhuma parte vai ficar satisfeita. Haja bom senso de se perceber que não aceitaremos nada que achemos, logo à partida, põe em causa os interesses do Sporting".

"Primeiro ouço dizer que havia soluções. É bom que não comecem a inventar, mas fomos claros, em tudo o que dissemos na campanha que a primeira coisa a fazer era reestruturação. Isto tem a ver com os últimos 17 anos, onde se foram acumulando os resultados conhecidos e o que não é admissível é que haja bom senso. Não nos podemos crer é que é uma nova direção resolva todos os problemas de 17 anos num par de meses".

Bruno de Carvalho [via Record]

Da série: "A situação que se vive no Sporting é um espelho da situação que se vive no País" (II)

DN, 21 de Setembro de 2012: "Passos Coelho quis mesmo demitir-se"

JN, 28 de Março de 2013: "Passos Coelho admite pedir demissão se Constitucional chumbar Orçamento"

Negócios, 10 de Abril de 2013: "Bruno de Carvalho ameaça banca com demissão"

Da série: "A situação que se vive no Sporting é um espelho da situação que se vive no País" (I)

«Bruno Carvalho sabia que, até Junho, teria 6,3 milhões de euros de receitas e 31,2 milhões de custos, mas a diferença de 24,9 milhões é, afinal, bem maior do que esperado. Por um lado, porque existem mais compromissos por liquidar nos próximos três meses; por outro, porque alguns elementos que deveriam sair do clube no âmbito da reorganização interna têm cláusulas de rescisão 'astronómicas'.»

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Ainda bem que este tema vem à baila outra vez

Pode ler-se no Negócios de hoje que o "Governo rejeita descer TSU para subir salário". Ora ainda bem que este tema vem à baila outra vez.

Diz o Camilo Lourenço que "Baixar a TSU faz sentido (se o tivéssemos feito, o desemprego não teria subido tanto)". Eu também sou a favor de baixar a TSU, mas não sou a favor de baixar a TSU como foi anunciada pelo governo em Setembro do ano passado.

A medida anunciada pelo governo retirava da economia 2800 milhões de euros e só dava 500 milhões para combater o défice como referiu o José Gomes Ferreira. Foi uma medida mal explicada e, como foi anunciada, não era para combater o défice: era retirar das famílias para entregar um cheque a empresas de um sector da economia que trabalha em mercados protegidos (como o da electricidade e das telecomunicações) e para entregar um cheque ao sector financeiro (bancos e seguradoras).

Havia uma solução que nunca chegou a ser discutida: 1º) não aumentar a TSU de 11% para 18%, mas de 11% para 14 ou 15% e com esse dinheiro criava-se um fundo que ajudava as empresas que exportam e que geram emprego; 2º) não seria com a baixa da TSU para essas empresas, mas sim depois de exportarem e criarem emprego, dava-se um prémio a essas empresas.

Infelizmente ninguém a discutiu e, da maneira como foi anunciada em Setembro de 2012, o governo viu-se obrigado a recuar. Agora, infelizmente, já é tarde.

quinta-feira, 21 de março de 2013

On quoting 'fulano tal'


‘—Porque como diz fulano tal, x não justifica y.’

Quando uma pessoa diz ‘…como diz fulano tal’ ela pode tanto pode querer dar um argumento de autoridade como não. É este último uso que me interessa aqui.

Citar ‘fulano tal’ — uma autoridade na matéria — tem a vantagem de assinalar o nosso argumento num contexto em que ‘fulano tal’, i.e., os argumentos de fulano tal são reconhecidos. ‘…x não justifica y’ mas de facto x poderia ou poderá justificar y. As razões pelas quais uma ou outra asserção é verdadeira depende de um argumento que decide entre as alternativas. 

A exposição das razões e do argumento podem ser longas o suficiente para valer a pena citar ‘fulano tal’, ou seja, assinalar o argumento que usaríamos tivessemos tempo e disposição. Citar é aqui atalhar. 

O nosso interlocutor pode ripostar ‘…mas o argumento de fulano tal sobre x e y depende da sua posição sobre z, que está errada.’ Aqui é preciso ter cuidado porque facilmente a discussão pode passar da verdade de asserções como ‘x justifica ou não y’ (e.g., de assuntos) a uma discussão sobre o que diz verdadeiramente fulano tal sobre x, y e z (de intepretação de autores). 

A discussão deve continuar no caminho dos assuntos e citação de fulano tal serviu para acelerar a discussão sobre x e y, indo directos ao ponto z. Os intervenientes devem continuar a discutir sobre a verdade de ‘x justifica ou não y’ a partir da verdade de z, assumindo que o nosso interlocutor concorda com o resto do argumento de fulano tal (caso contrário, bastar-lhe-ia dizer que o argumento de fulano não corre, é um non sequitur, ou que não apenas a posição de fulano tal sobre z, mas sobre k, l e m também, estavam erradas, etc. Para concluir, porque já explicitei o mais importante, uma comparação com stats:

Situação 1
—Mas sabes, na minha opinião x não justifica y…
—Ah não, porquê?
—Bem, porque imagina lá k, l e m — e também z. É que se eu estiver certo sobre estes, e se z for também verdade, então ∂, ou seja, x não justifica y.
—Ouve lá, eu concordo com k, l, e até posso admitir m. E sim, se z for verdade, então ∂* — se te percebi bem — e logo, x não justifica y. Agora, eu não concordo com z. Z é falso.
—Bem, quanto a z…

[86 palavras/411 caractéres.]

Situação 2
—Porque como diz fulano tal, x não justifica y.
—…mas o argumento de fulano tal sobre x e y depende da sua posição sobre z, que está errada
—Bem quanto a z…

[32 palavras/156 caractéres — notar que as frases iniciais e finais das Situações 1 e 2 tem o mesmo número de palavras e caractéres. Notar que apenas x, y e z repetem-se em ambas situações, porém, que k, l, m e ∂ stand for muitas palavras — k, l e m são asserções e ∂ o raciocínio pelo qual, dado k, l e m, e z, x não justifica y.]

Claro está que isto vale para qualquer discussão em que ‘x não justifica y’ seja relevante, i.e., seja ela o assunto em discussão ou parte de um argumento maior, sobre ‘o Homem, a Sociedade ou o Estado’ [sic].

Existem ainda outras vantagens de citar fulano tal para reforçar a boa condução de uma discussão mas que dependem de características mais psicológicas (e.g., o interlocutor não atribui a asserção ‘x não justifica y’ à mera opinião do seu interlocutor — ou ao contrário, é mais audaz na sua resposta porque está ciente do peso dos argumentos de fulano tal — ou outros ainda). Em todo o caso, para além de depender de características mais psicológicas, estas vantagens prendem-se com o uso da citação como autoridade, que me excluí de discutir aqui.

Não excluo também pontos fracos que possam estar associados, sistematicamente ou não, às vantagens que mencionei. E tenho dito, podem citar.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Ainda há dúvidas que o José Peyroteo Couceiro representa a "continuidade"?

Li o texto que se segue no Facebook do meu grande amigo e grande sportinguista Pedro Leite. Não consigo confirmar nem dar certezas sobre os factos mas acredito que se encaixem na perfeição:

“Em 1997 José Couceiro foi director geral do SCP. José Roquete era o presidente do CD. António Dias da Cunha era o presidente do CF. José Maria Ricciardi era vogal do CF.

Em 2002 José Couceiro foi parceiro privilegiado do SCP na qualidade de gestor do First Portuguese Football Players Fund, um produto do BESI com jogadores do SCP. António Dias da Cunha era o presidente do CD. Godinho Lopes era vice presidente do CD. José Eduardo Bettencourt era o administrador da SAD. Filipe Soares Franco estava a passar do Estoril para o CD do SCP. José Maria Ricciardi era vogal do CF.

Em 2010 José Couceiro voltou como director-geral do SCP. José Eduardo Bettencourt era o presidente do CD. José Maria Ricciardi era vice do CF. Tito Arantes Fontes e Samuel de Almeida eram vogais do CF. 

Em 2013 José Peyroteo Couceiro é candidato a presidente do SCP (Aqui há uma curiosidade. Quando um jogador de futebol passa a treinador, passa a ter 2 nomes - ex: Domingos passou a ser Domingos Paciência, Oceano passou a ser Oceano Cruz. Quando um treinador de futebol passa a dirigente/presidente, passa a ter 3 nomes - José Couceiro passou a José Peyroteo Couceiro!) Tito Arantes Fontes é o seu candidato a PMAG. Samuel de Almeida é candidato a secretário da MAG.

Nestes anos todos Roquete, Dias da Cunha, Soares Franco, Bettencourt e Godinho tiveram de ser apeados. José Maria Ricciardi parece finalmente apeado do CF, onde entrou há 18 anos, era Roquete o presidente e Santana Lopes presidente do CD."

Ainda há dúvidas que o José Peyroteo Couceiro representa a "continuidade"? Digo mais uma vez: não consigo confirmar nem dar certezas sobre os factos, mas para mim, o José Peyroteo Couceiro vai ser mais do mesmo, mesmo que diga na campanha que não!

A situação no Sporting está tão má que o próprio Bruno de Carvalho, se ganhar, não vai conseguir fazer milagres no curto prazo. Mas para mim, a vitória do Bruno de Carvalho, a acontecer, vai ser o 1º passo para inverter o rumo que nos trouxe até aqui.