Estamos de parabéns porque vamos ao Mundial 2014 no Brasil (Costas, há casa para mim em Junho?). O Fernando e o André Costa já escreveram aqui, e bem, sobre aquela granda jogaça de 3ª feira, em que o maior enfiou 3 papos-secos dentro da baliza sueca, como só ele sabe fazer.
Mas não é sobre isso que eu estou a escrever hoje. É sobre um outro assunto. Um assunto que marcou esta semana e que está indiretamente relacionado com o jogo: A Pepsi Sueca (e isto é importante realçar porque a malta tem sempre ideia em confundir as coisas.. não é a Pepsi Portugal nem a Pepsi Internacional - que curiosamente tem Messi como um dos seus rostos publicitários) publicou 3 imagens na pag do facebook em que mostra um boneco vestido com as cores nacionais amarrado numa linha de comboio, outra repleto de alfinetes vodu e outra esmagado por uma lata Pepsi.
A Pepsi Portugal, através da sua pag facebook, pediu desculpas ao Ronaldo e aos Portugueses. Mas não foi suficiente pois logo a seguir à publicação das fotos apareceu logo uma página de indignados a boicotar a Pepsi: Nunca mais vou beber Pepsi, que já tem quase 200 mil likes, com o seguinte mote: «Se és português e tens orgulho no teu País, nunca mais bebas Pepsi e faz "Gosto" nesta página!». O assunto tornou-se viral e não tardou a aparecerem 1) montagens, feitas no paint, a associarem CR, Messi, Pepsi, Coca-cola, Blater, Zlatan, etc. 2) vídeos no youtube de tugas a partirem arcas da Pepsi ou de telefonemas em tom de brincadeira para a Pepsi Internacional, 3) noticias sobre troca de fornecedores, como no caso da TAP que respondeu via facebook a uma cliente.
Não tardou também a aparecerem os peritos a comentar. "A imagem da marca fica gravemente afetada. O pedido de desculpas dado nas redes sociais, sendo correta, é tarde de mais." dizia Luís Pereira Santos, da McCANN Portugal. "Basta olhar para os 63 milhões de fans que o Cristiano Ronaldo tem no Facebook e os 23 milhões da Pepsi para fazer as contas de quem terá ficado a perder e, claro, perceber que o problema da marca não será apenas em Portugal" dizia Tomás Froes, da MSTF Partners.
Surge então a altura de comentar o sucedido:
Em 1º lugar sobre o conteúdo: ao contrário do Henrique Raposo, não vi nenhuma "campanha inteligente".. vi sim uma demonstração de muito mau-gosto.
Em 2º lugar sobre o movimento anti-pepsi: concordo com a "indignação patrioteira e patética", com o "vejam lá se arranjam uma vida, vejam lá se ganham estofo e capacidade de encaixe, no fundo, vejam lá se crescem" e com o "este é apenas o último episódio de um fenómeno cada vez mais grave: a intolerância crescente das redes sociais". Mas o tuga é assim: Fala-se muito do patriotismo e do orgulho português, mas no final de contas, temos uma memória tão curta quanto a nossa capacidade política. Por aqui, as feridas fecham-se rápido, muito rápido até. E quando se trata de um movimento que nasce no facebook, mais ainda: nasce uma veia revolucionária dentro de cada um alimentando o sonho de querer mudar alguma coisa.
Em último, sobre as consequências para a marca: Em Portugal, é a Coca-Cola que domina o mercado e a Pepsi nunca vai conseguir inverter a sua posição de follower. Quando o Tuga for a um café, vai continuar a pedir Coca-cola, o empregado a perguntar-lhe Pode ser Pepsi?, o Tuga durante uns tempos vai dizer que não, mas como a memória é curta não vai tardar a dizer que sim.
Concluindo numa frase: Esta campanha foi uma palermice que correu mal mas os portugueses esquecem rápido.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
sábado, 23 de novembro de 2013
Porque todos os homens deviam ser JFKennedy
Ok, pronto, é radical eu sei, deixemos
liberdades a alguns para serem quem são…
Foi há um dia que se celebrou o aniversário
da morte deste senhor. Aposto que quando se celebrar o aniversário propriamente
dito ninguém se lembra, mas há que seguir a tradição mórbido trágica dos media
porque afinal um aniversário em si não tem graça nenhuma!, mas aqueles
polvilhados de sangue a gente gosta!
JFK carrega aos ombros aquilo que a partir da
sua era, mais do que o sonho americano, passou a ser um “perfect portrait” de família. E é irónico como, no fim, nada houve
de perfeito.
O carisma de JFK levou-o a ser mais do que um
presidente, foi o símbolo de presidência americana. A máquina de corrupção
estava por trás mas isso, ninguém via.
O alento da nação vem de uma bela
primeira-dama e de um bom par de Ray-ban numas férias à beira mar. Obama não lhe
chegará nunca aos calcalhares, será sempre um substituto, como se depois de uma
grande festa regada de champanhe e Bourbon os americanos se tivessem que
contentar com uma after-party nos fundos. Bem, menos talvez, mas a escolha será
sempre óbvia.
JFK é o retrato da nação perfeita, da família
perfeita, do homem que deu a cara pela América e que a carimbou com ela. Incontornável.
Quem discordar pode ir pregar para a casa dos
Onassis.
O facto interessante é que a política
renasceu aqui como um jogo de imagem. O povo ama aquilo que vê, não a política.
Entre os vestidos, as belas casas de campo, os tuxedo e os flutes ninguém se
importa, é a vida americana no sei auge e, afinal, é disso que vive a América,
de um poder tão económico quanto de imagem. Vejam-me, adorem-me.
Ah, e
depois claro temos a célebre “forgive
your enemies but never forget their names.” Acho que a américa também continua a gostar bastante desta…
Para o homem que ainda não percebeu que deve
ser JFK tente ter uma mulher como a Jackie, levar os USA por um cordel e chegar
a casa com a Marylin a cantar happy birthday
mr president ao ouvido.
Parte
nº2 ou como ser um bêbedo sem classe na Suécia:
Ah! Os povos nórdicos! Uma capacidade de organização
e educação excepcional mas uma capacidade de beber um só copo irrisória!
A sensação de entrar num supermercado sueco
exclusivamente destinado à venda de álcool assemelha-se um pouco a ir a uma
consulta de psiquiatria: vai tudo ao mesmo mas é melhor evitar a troca de
olhares não vá fulano reconhecer-me no dia seguinte. Mas ali é quase impossível
porque os sacos plásticos para levar o álcool são de “cor especial”, quer isto
dizer de um azul que é impossível ignorar na rua.
Quando alguém passa com um
saco daqueles já sabem, hoje à festa!
Mas o escândalo está no facto de este tipo de
supermercado fechar sábado a partir das 15h e domingo o dia todo. O governo
parece desesperado em controlar um povo que pura e simplesmente não sabe beber
por convívio, ou é para acordar as sete da manha meio nu em casa de
desconhecidos barrado de manteiga de amendoim ou então não vale a pena!
E em verdade não há maneira de resolver o
problema do supermercado fechado. Porque para os nossos amigos suecos não há o “compra e fica de reserva”,
se há de reserva mais vale é beber!
E agora por falar nisso, deixa-me lá ver se
tenho aqui algum…
Este é o Milésimo Post da Mentira
Não quero roubar o teu protagonismo Kay. Mais ou menos, vá. Queria apenas deixar, no milésimo post d'A Mentira, uma mensagem de futuro.
Não desperdicem nem uma gota do vosso talento.
Deus fica muito chateado.
Não desperdicem nem uma gota do vosso talento.
Deus fica muito chateado.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
O verdadeiro herói (usa quase sempre capa)
Nota prévia:
Peço desculpa por desapontar aqueles que estavam à espera do óbvio. Não, não,
este não é um post sobre as proezas futebolísticas do Cristiano Ronaldo contra
a Suécia.
Hoje vou
tentar escrever sobre Heróis (pode ser com maiúscula, não pode? Eu vou escrever
com maiúscula), de um em especial. A história deste Herói é tão esmagadora, que eu
nem sinto capacidade de abraçar o desafio de forma suficientemente épica para
ter o direito de escrever sobre ele. Mas já lá vamos, comecemos por dar algumas
definições genéricas do espécie, o Herói:
"1. Figura arquetípica que reúne em si os atributos necessários para superar
de forma excepcional um determinado problema de dimensão épica;
2. Aquele que se distingue por seu valor ou por suas acções extraordinárias,
principalmente por feitos brilhantes durante a guerra;
3. Principal personagem de uma obra literária ou cinematográfica;
4. Personagem principal de uma aventura, de um acontecimento;
5. Individuo que se destaca por um ato extraordinário de coragem, valentia,
força de carácter, ou outra qualidade considerada notável."
Terminadas
as definições dos primeiros 4 ou 5 links
do Google para o tema, qualquer leitor
sem muito enviesamento futebolístico irá concordar que o Ronaldo só irá ser digno
de um post, se ganharmos a Copa aqui no Maracanã no próximo Verão (Português) /
Inverno (Carioca), levantando a taça com a bandeira de Portugal às costas, como se de uma capa se tratasse. Desculpem a sinceridade quase
obsessiva, mas para mim um super herói tem que ter uma capa (não confundir com
cauda).
Como aprendemos
nas histórias das nossas infâncias e na maioria dos filmes lá de Hollywood que
dão por aí, os heróis são uma espécie que habita entre nós. Eles são
desconhecidos, na maioria das vezes são irreconhecíveis, de vários tamanhos, idades, estratos sociais,
graus de escolaridade, com hobbys diferentes, etc. Ás vezes, eles são até da família. Normalmente, aparecem
de repente, sem avisar, ao ritmo das partidas e dos desafios que a vida lhes coloca. Trazem consigo toda a força e
coragem que existe no mundo (que só eles sabem onde ela existe), que leva a
pensar que eles sempre estiveram preparados para essas derradeiras batalhas que travam com tanta convicção e fulgor. A sério, eles trazem tudo isso. E
uma capa.
O Herói desta história, chama-se Miles Scott (não confundir com o Davis, que não usava capa, mas
cumpria bem os requisitos de acima supracitados). Tem 5 anos, venceu leucemia. Mas mais que isso, foi capaz de mexer com uma cidade inteira (créditos para a Make-A-Wish Foundation), que se transformou por 1 dia
num capítulo de banda desenhada para ajudar este pequeno herói a recuperar os anos da ainda sua curta infância
perdida, e dar toda a força para a batalha final. Ah, a cidade foi São
Francisco na Califórnia, EUA. Podem ler e ver tudo aqui, que não há muito que
eu possa comentar, que vá acrescentar alguma coisa: http://www.sfchronicle.com/batkid/#/0
Miles Scott
a.k.a The Batkid é uma das histórias
mais fantásticas que eu já vi. Mas vi outra que me tocou de perto... Ninguém conseguia ver quão heróico tinha sido o feito, ou tão pouco se usava capa, mas eu sim, porque esse herói mora lá em casa.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Esse lugar é uma ilha
Se tu entrasses
naquele barco irias ficar deslumbrada.
O degrau é um
pouco alto e a água cor de céu distrai o pé. Cuidado para não escorregares.
Sentas e sentes o vento que não é vento porque o marinheiro vai com pressa de
chegar.
Tu pensas
que não tens pressa
nenhuma de chegar. O bom de navegar é que não existe um caminho. Existe uma
paisagem que é a terra e um horizonte que é para lá. O destino fica no meio
porque é uma ilha. Olhas para a paisagem e
Tu pensas
puta que pariu,
que não tens pressa nenhuma de chegar. Vais pedir um rum no bar porque sentes o
sol a raiar na testa. É boa ideia beber o reflexo do degradê da paisagem, já
que o teu tempo passa sem vontade de passar. Olhas para o marinheiro e
Tu pensas o que
ele pensaria.
Ele pensaria
que a paisagem é
a bombordo e o horizonte a estibordo. O destino está lá ao fundo, vês? Enquanto
pede para servirem mais um rum ao turista cor-de-rosa. Há anos que não repara
na beleza do caminho que não existe porque olha para ele todos os dias. Da
mesma forma que tu não reparas no azul do céu quando caminhas de manhã para a
tua cadeirinha do escritório. E como o marinheiro acordou cedo
Ele pensaria
quantas milhas
faltam para o almoço, e se a direcção do vento pode ajudar a empurrar a carcaça.
Da mesma forma que tu pensas no primeiro café cigarro da manhã só de avistar a
cadeirinha ao fundo da sala. A âncora é lançada e faz aquele barulho
cinematográfico das correntes a esfregar na proa. Tu sabes bem. Os cor-de-rosa
voam para a areia branca farinha porque sentem o cheiro de bichos do mar no
carvão. Tu adoras quase-tudo no carvão então voas também. O marinheiro não,
porque
Ele pensaria
que trincar mais
um peixe mais um dia seria mais uma dor no órgão que fica mais abaixo do
coração, que é o estômago. Da mesma forma que tu pensas no arroz lá da cantina
que te cola os dentes uns nos outros e te rouba todas as orelhas das caixas de
aspirina, porque os palitos teimam em desaparecer. Mas tu devoras aquela
lagosta de forma heróica. Até os cornos, que picam nos dedos. Pedes mais um rum
para celebrar e
Tu pensas
que exactamente
ali está óptimo. Podias enterrar a cadeirinha na areia branca farinha e servir
rum com gelo para turistas almoçados o resto dos teus dias. Duas preocupações
apenas: rum, e gelo. Depois há a questão da dosagem. Mais fácil que Excel. E
tens a paisagem para devorar. Ah, e copos. Também não podem faltar copos. Merda!
Chutaram-te abordo e sentes novamente o vento que não é o vento de quem navega.
Se agora é ao contrário
Tu pensas
que a paisagem
está para lá e acertas. Mas agora vai perdendo a graça. Eu acho que algumas
coisas perdem graça quando vistas de trás para a frente, tais como paisagens,
filmes, livros ou músicas. Ou então és tu que perdes graça quando voltas de um
lugar onde querias ter ficado. Sabes lá, e lá reparas no sorriso agrafado no
canto da boca do marinheiro. E então percebes que esse é o sorriso
De quem sabe
Esse lugar é uma
ilha.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
uma fotografia
Escrevo este pedaço de texto antes dum
jogo de futebol importante. Suécia e Portugal vão opor-se para
decidir que equipa estará presente no mundial do Brasil, e seria
agora fácil adivinhar os rumos deste conversa. As mentes afectas ao
mundo desportivo estarão a imaginar uma crónica futebolística, uma
dissertação acerca da necessidade de um Patrício moralizado ou um
Ronaldo igual a si mesmo. Os mais interessados por política
internacional poderiam imaginar uma discussão acerca do fervor
nacionalista latente, do jeito com que os campeonatos de selecções
alinham as agulhas patrióticas, da mesma forma que em formato
violento o fizeram as guerras dos séculos passados. Talvez haja
ainda quem se enamore por jornalismo cor-de-rosa, e nessas cabeças
se imagine um post de manifesta indignação por faltarem entrevistas
ao Figo e companheira sueca Helen, a indagar se a emoção do futebol aliada ao patriotismo supracitado têm capacidade sísmica para abanar um
lar.
Apesar de gostar de tudo isso –
futebol, política, do Figo e da Helen – não entendo nada dos seus
meandros.
Vou por isso utilizar este espaço para
tirar uma fotografia. Daqui a pouco mais de uma hora, saberei o
resultado do jogo. Agora resta-me a especulação e a incerteza. Com
estas palavras imortaliza-se a dúvida. Quando amanhã copiar e colar
este texto no espaço devido, vou lembrar-me da emoção com que
aguardo o momento e das duas uma: ou rio da patetice de tentar
guardar para sempre a triste incerteza sobre um momento que afinal se
revelou feliz, ou vou tentar por tudo recordar a felicidade da dúvida
acerca de um desfecho desgostoso. Tal como uma fotografia que é
necessariamente incompleta no instante em que se tira, ganhando
significado à medida que avança a história dos objectos que lhe
dão cor. Como efeito paralelo, sei que pela primeira vez escrevo
algo de cariz actual sabendo que será publicado como algo
desactualizado. Serve isto então para medir a curta distância entre a notícia e a história. Sei também que, Figo, se me ouves, obriga a Helen a fazer o mesmo, tirar uma fotografia ou
deixar por escrito e assinado todas as baboseiras mentirosas que são
fruta destas épocas
- Não, claro que vamos viver o jogo
de forma saudável, não haverá retaliações, que ganhe o melhor, desportivismo acima de tudo,
acredita, não há sexo se Portugal for
apurado.
Vou embora. O jogo vai começar.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
To Bite the Bullet (or Bite the Dust)
bite |bīt|verb ( past bit |bit|; past part. bitten |ˈbitn|) [ intrans. ]
(…)
PHRASES
(…)
bite the bullet decide to do something difficult or unpleasant that onehas been putting off or hesitating over. [ORIGIN: from the old customof giving wounded soldiers a bullet to bite on when undergoing surgery without anesthetic.]
bite the dust informal be killed : and the bad guys bite the dust with lead in their bellies. • figurative fail; come to an end : she hoped the new program wouldnot bite the dust for lack of funding.
A primeira expressão é de Kipling, a segunda é conhecida pela música dos Queen (e de um certo desenho animado que dava na TV quando eu era pequeno, acho que era do Hulk Hogan, mas por favor verifiquem no Google). Gosto muito da expressão e do seu significado. Aparentemente, a expressão teum um uso especial em filosofia, significando a capacidade de aceitar as consequências daquilo que acreditamos. Porque tenho o infortúnio de pertencer a esta geração em que o inglês always comes in handy, bite the bullet é o mesmo que embrace the consequences, mesmo as más, sobretudo as más.
Tenho usado o que nela há de útil nas últimas semanas, para o 'bem' e para o 'mal'.
Para o 'bem' — para efeitos humorísticos:
-Tenho de ligar os bicos do fogão com um fósforo. Nada mais fácil. Porém, o meu primo pergunta se eu preciso de ajuda (ele não sabe quão simples é a minha tarefa). Ao invés de recusar, aceito a ajuda. O momento foi embaraçoso quando ele percebeu o quão inútil foi a sua ajuda — o quão fácil era para mim a tarefa que tinha em mãos. But I bit the bullet e aceitei a ajuda.
(É como a mulher que está a estacionar o carro com dificuldade e o homem que está atrás pergunta enervado: é preciso eu ir aí fazer por si? Sim, é. A mulher sai do carro, entrega as chaves, e ele é obrigado a aceitar. It's funny.)
Para o 'mal' — para efeitos de compaixão:
-A minha tia lembrou-se dos tempos em que passávamos férias juntos no Algarve. Foram ótimas ótimas férias, dos meus 10 aos meus 14 anos. Estava saudosista. Era fácil minimizar a coisa; dizer que não valia a pena pensar nisso; que os tempos também são bons agora. (Agir na defensiva.) Mas não. Porque ando a pensar nisso de bite the bullet, aceitei ficar triste. Não quis minimizar. Aqueles tempos também significaram muito para mim. São tempos que não voltam. É melhor a minha tia saber que para mim também significou tanto quanto para ela; não podia fingir e desviar o olhar. Aceitar a bala, morder a bala e ficar triste. E assim fiz.
(…)
PHRASES
(…)
bite the bullet decide to do something difficult or unpleasant that onehas been putting off or hesitating over. [ORIGIN: from the old customof giving wounded soldiers a bullet to bite on when undergoing surgery without anesthetic.]
bite the dust informal be killed : and the bad guys bite the dust with lead in their bellies. • figurative fail; come to an end : she hoped the new program wouldnot bite the dust for lack of funding.
A primeira expressão é de Kipling, a segunda é conhecida pela música dos Queen (e de um certo desenho animado que dava na TV quando eu era pequeno, acho que era do Hulk Hogan, mas por favor verifiquem no Google). Gosto muito da expressão e do seu significado. Aparentemente, a expressão teum um uso especial em filosofia, significando a capacidade de aceitar as consequências daquilo que acreditamos. Porque tenho o infortúnio de pertencer a esta geração em que o inglês always comes in handy, bite the bullet é o mesmo que embrace the consequences, mesmo as más, sobretudo as más.
Tenho usado o que nela há de útil nas últimas semanas, para o 'bem' e para o 'mal'.
Para o 'bem' — para efeitos humorísticos:
-Tenho de ligar os bicos do fogão com um fósforo. Nada mais fácil. Porém, o meu primo pergunta se eu preciso de ajuda (ele não sabe quão simples é a minha tarefa). Ao invés de recusar, aceito a ajuda. O momento foi embaraçoso quando ele percebeu o quão inútil foi a sua ajuda — o quão fácil era para mim a tarefa que tinha em mãos. But I bit the bullet e aceitei a ajuda.
(É como a mulher que está a estacionar o carro com dificuldade e o homem que está atrás pergunta enervado: é preciso eu ir aí fazer por si? Sim, é. A mulher sai do carro, entrega as chaves, e ele é obrigado a aceitar. It's funny.)
Para o 'mal' — para efeitos de compaixão:
-A minha tia lembrou-se dos tempos em que passávamos férias juntos no Algarve. Foram ótimas ótimas férias, dos meus 10 aos meus 14 anos. Estava saudosista. Era fácil minimizar a coisa; dizer que não valia a pena pensar nisso; que os tempos também são bons agora. (Agir na defensiva.) Mas não. Porque ando a pensar nisso de bite the bullet, aceitei ficar triste. Não quis minimizar. Aqueles tempos também significaram muito para mim. São tempos que não voltam. É melhor a minha tia saber que para mim também significou tanto quanto para ela; não podia fingir e desviar o olhar. Aceitar a bala, morder a bala e ficar triste. E assim fiz.
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