terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Re: Re: Respostas respostas respostas. Borges Borges Borges

Tem sido tema as posições ou as ideias políticas. Começou o P. Marques num comentário fortuito. Continuou o FBC com a possibilidade de vir a estudá-las por outras fontes que a Wikipedia. O Luís comentou e ofereceu uns livros. Completou o Fernando com um mapa de economistas.

Confesso que é um tema que me interessa: a Política e a Economia. E não fosse eu quem eu sou, interessa-me a parte das ideias.

Mais ainda, achei muito curiosa a resposta do Fernando. Porque respondeu ao tema de ideias políticas citando economistas. E esta é uma ideia comum hoje: a política é sobretudo um affaire da economia; vivemos em sociedades de welfare produzidas pela economia. Não é uma ideia descabida ligar os dois temas.

Interessa-me o tema de economia em geral, microeconomia em particular (e macro porque tem de ser). Desde há uns tempos para cá interessa-me o tema da economia enquanto disciplina. Como se tornou ela uma disciplina tão central nas nossas vidas? Como se tornou ela a disciplna (académica) que decide sobre a Política — o Estado, Nós? Interessa-me em síntese o tema da Ascensão da Economia ao lugar central que ocupa hoje nas nossas sociedades ocidentais: enquanto disciplina que descreve os human affairs, enquanto disciplina que regula os human affairs — mais do que qualquer outra.

Isto sim é uma novidade. E data da segunda metade do século. Quem disser o contrário, tenho duas palavra: B**** Plz. Não é o caso. Claro que a ecomomia sempre foi importante, no sentido em que os Reis tinham ou não tinham dinheiro para levar a cabo uma guerra — e pedir dinheiro emprestado e ficar nas mãos de banqueiros. Mas isso é uma outra cena.

Repito. Estou a falar da teoria sobre a sociedade e o ser humano (homo economicus) enquanto central. OAdam Smith vem do Iluminismo Escocês e era um filósofo moral. A economia era um aspeto de uma visão que não era propriamente económica (ou não se pensava como tal). O Marx não era economista de profissão: vinha de história e de filosofia. Até ao início do século XX, pensava-se que para pensar em economia bastava refletir sobre os princípios que se usam no dia-a-dia; o herói era o JS Mill. (Conta de mercearia portanto, como às vezes dizemos em Gestão).

Os grandes temas políticos do século XIX para trás não eram económico. Existem alternativas para trás. As modernas teorias político-económicas não decidem sobre todas essas questões que poderiam ainda ser programa.

Muitas coisas teria a dizer mas este é um texto introdutório. A ver se pega. Se temos um thread.

Para terminar, lembrar que existem outros contenders sobre o que é e como deveria ser a sociedade,  Estado, a política, o je-ne-sais-quoi, assim de cabeça:

  • Sociologia - o rival que perdeu com a economia; surgiu como disciplina na mesma altura mas não atingiu o prestígio da outra
  • Ciência política - a moderna ciência, oh a moderna ciência
  • Filosofia política -  longa tradição que nos trouxe até dada altura até que se dispersou em outras disciplinas mas que manteve algumas contribuições independentes (Rawls) ou misturadas (Hayek, Amartya Sen)
  • Direito - enquanto teoria das instituições, dos direitos e deveres do Estado e do Cidadão (que é afinal uma das unidades 
E é isto que já vai longo. É como eu disse. A ver se pega. Se temos um thread.

PS. Não achei o Mapa de ecomistas tão curioso. Reconheci uma boa parte das linhas por escolas recentes ou por períodos, Mas eu também sou daltónico e posso ter falhado em algumas distinções. Fica para a próxima.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A Solução

Esta 6ª feira os Gato Fedorento mostraram-nos A Solução para salvar Portugal da crise. Quem ainda não viu, tem a hipótese de ver aqui:

sábado, 14 de dezembro de 2013

Coisas de Época

1º Os meus parabéns ao senhor Thamsanqa Jantjie! Acho que é este o nome correcto do homem que ser fez passar por um intérprete gestual quando na verdade sabe tanto disso como eu de medicina nuclear! Parabéns! porque de facto é um feito digno de medalha conseguir fazer uma coisa daquelas, ou então só uma maneira gloriosa de mostrar o quão bem controladas são estas burocracias cerimoniais.
 Ofensas à parte da comunidade afectada, porque percebo que não seja agradável, é um episódio que no mínimo dá para rir, porque não vou ficar irritada com um maluquinho mas sim com quem o pôs lá em cima! Acho que até uma pessoa inculta no assunto (mas obviamente com um treino mínimo de intérpretes nos programas da RTP1 e RTP2) consegue perceber que o que o homem faz é embrulhar caixas repetidamente….mas sem papel…e sem caixas. Uma bela embrulhada portanto.

2º É Natal, mas isso toda a gente já sabe. É só mergulhar na multidão consumista todos os fins-de-semana e não há como negar. Confesso que chegando esta altura me dá uma certa nostalgia do Magusto. Foi uma coisa que ficou perdida lá atrás, na escola primária, quando o Magusto era para mim uma coisa verdadeiramente importante! Agora é a porcaria de um dia sem significado nenhum! E chega a altura do natal e penso, mas eu nem sequer celebrei Magusto! Depois passa, afinal a mulher das castanhas está na rua todo o ano, para ela, Magusto é quando o Homem quiser!

3º Recentemente conheci um rapazito que depois de dizer que era vegetariano acrescenta “mas odeio que me perguntem o porquê de ser vegetariano!”
Desculpe? Meu amigo, se me disser que odeia que lhe perguntem o porquê de ser algeriano até entendo, agora acho que há toda uma outra legitimidade em perguntar o porquê de ser vegetariano.
É quase curiosidade mórbida, uma espécie de “deixa ver quais são as razões pode ser que também me dê para virar vegetariano!”. E se é uma opção consciente não deve ser assim tão difícil tentar explicar o porquê da escolha, não é que eu traga um bife na carteira para lhe enfiar garganta abaixo depois de uma agitada discussão…

Para mim é um assunto nada-contra-e-nada-a-favor. Faça o que quiser, coma alfaces e cenouras toda a vida, mas tudo o que peço é que se tiver um filho não o ponha logo de pequenino a comer alpista, e é tudo! 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

André(s) em viagem

Partilhamos o nome, a paixão pelo Basquetebol onde nos defrontámos algumas vezes, pelo empreendedorismo, a licenciatura em gestão no ISCTE como colegas de turma, seis meses de vivência em Erasmus na Suécia, e uma boa amizade que tem perdurado ao longo dos últimos anos. Mas, sobretudo, o espírito de sermos dois viajantes, dois cidadãos do mundo, duas pessoas que querem partir para descobrir o mundo. Eu já descobri uma parte de mochila às costas, agora é a vez dele...

O André lançou-se numa epopeia que vai marcar a sua vida de uma forma fantástica e inesquecível. Meu caro amigo, de mim podes contar como sempre com a maior disponibilidade, amizade, respeito e admiração pelo que vais conseguir em mais esta etapa. Mas desta vez, por favor, perdoa-me, mas conta também com um pouco de inveja desta vez também.

O André viaja com a nobre missão de afirmar Portugal no Mundo. É mais um que se junta a todos aqueles, que como eu, decidiram emigrar, mas que continuam também a afirmar os valores de Portugal e dos portugueses todos os dias nos seus trabalhos, nos seus estudos, nas suas atividades, nos seus projetos pessoais, nas suas empresas, um pouco por todo o mundo.

Não me vou alongar muito, vocês podem saber tudo no link abaixo:

Eu sei que parece mentira, mas não é. Ele vai mesmo fazer isto!

Ele já começou, enquanto eu viajo para a semana, para um par de dias em família e com os amigos de sempre, porque o Natal é secundário. O importante vai ser a cerveja que tomaremos daqui a uns tempos num bar qualquer, em qualquer parte do mundo.

Meu amigo, boa sorte. E como me disseram uma vez: Enjoy the ride of your life!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

um mapa de economistas

Desta vez trago uma coisa um pouco diferente. Um mapa onde as localidades são economistas e nas estradas circulam as suas influências. 

A Internet tem muitas coisas boas, uma delas é a Wikipedia. A Wikipedia é uma coisa mais ou menos bem estruturada. Por exemplo, no que toca a economistas, existe uma página com uma lista chamada curiosamente list of economists. Para cada nome que existe nessa lista, existe, quase sempre, uma página associada. E não raras vezes, nessas páginas existe um separador com as influências e influenciados referentes a cada economista. Todas estas coisas podem ser utilizadas para criar um mapa engraçado (que deixo em baixo). 

Nesse mapa, cada bolinha é um economista (ou uma influência de um economista), identificado pelo seu apelido. As ligações entre as bolinhas representam as ligações de influência entre economistas. Se repararem, existem umas setas nas extremidades das ligações, coisa que dá um sentido à ligação. Uma seta que aponte de Adam Smith para Marx significa que Adam Smith influenciou Marx, ao mesmo tempo que uma seta de Marx para Schumpeter significa que Marx influenciou Schumpeter. As bolinhas maiores significam pessoas mais influentes.

As cores têm um significado que emerge da estrutura criada. Existe um algoritmo que permite detectar comunidades. As cores são colocadas segundo aquilo que esse tal algoritmo acha que é uma comunidade de economistas. Uma corrente de pensamento, talvez. Nem sempre. Shakespeare está na mesma cor de Marx, sem que seja óbvio que os dois pertençam à mesma comunidade.

A imagem ainda tem lixo. E tem coisas que podem parecer estranhas. Tem bolinhas que dizem ‘many’, bolinhas que dizem ‘other’. Desculpem a Wikipedia, ainda tem coisas que não se coadunam com desenhos de bolinhas que um cromo qualquer decide fazer.

Para terminar, duas coisas: uma promessa e um desejo. A promessa de nunca voltar a usar num post tantas vezes as palavras coisas ou bolinhas. O desejo de que, se esta imagem não ajudar a esclarecer ninguém, pelo menos deixe no ar a certeza: a economia é uma coisa complexa. 

Aqui fica, 






PS: a ideia de fazer isto não veio do nada (a forma de obter as listas de influências mais ou menos). Aqui e aqui encontram os mapas peregrinos. Usei o gephi para o desenho! A imagem grande pode ser encontrada aqui.

PPS: talvez isto também funcione como resposta à resposta do Felipe ao Marques. É lixado categorizar posições.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Da Série Wenn ist das Nunstück git und Slotermeyer? (I) - SMBC’s Hide and Seek



Da Série The Funniest Joke in the World (I) - SMBC’s Hide and Seek

Deste post podem esperar:
1) uma breve introdução à série (conteúdo, razão de ser, pontas soltas para compor um texto);
2) uma piada com comentários on the side

1)a
Mais uma série. Esta é dedicada a things I find funny, sejam vídeos, textos, tiras BD, tiradas, conversas que participei, que assisti de soslaio ou que ouvi dizer. O título vem dos Monty Python, quem mais. É o início da 'The Funniest Joke in the World'. É o último esqueteche do primeiro episódio do Flying Circus, segundo a contra capa do DVD, e é ótimo. Já devem conhecê-lo mas ora bolas, é o video que faz sentido para a série, é um vídeo da Série de humor; tinha de pô-lo.



Quem me conhece, sabe que eu gosto de humor. Mais, que eu penso sobre o assunto e que eu racionalizo sobre what’s funny in the funny. É uma tendência das pessoas de filosofia, perguntarem-se “o que é?” numa variante de ‘Mais Platão, menos Prozac’ — ‘Mais Platão, menos Erva’. Digo isto por duas razões:
a) ouvi dizer que as pessoas ganzadas tendem a achar graça a coisas que de outro modo não achariam.
b) Platão, na personagem se Sócrates, perguntava: o que é a Justiça? (Laques), o que é o Amor? (O Banquete) — mas também perguntas menos conhecidas como: o que é um bom puré? (Hípias Maior). True story. Platão é divertido e lê-se bem e sem porquê, e cito, “só porque dá aquela palha” (Platão, Hípias Maior, 1040b).
c) pela funny quote do Bertrand Russell que dizia que os filósofos respondem a perguntas que surgem naturalmente a crianças (“o que é…?”) com métodos que surgem naturalmente a advogados. (Mas na verdade, diz que parece que é um misquote.)

Terminei a introdução da série, falei dos Monty Python e do Platão. Vamos ao episódio de hoje.

2)
A BD Saturday Morning Breakfeast Cereal (SMBC), web comic de Zach Weiner(smith). Apresentou-ma Alexander Kustov, figura ímpar na IJC, lá no clube (yeah, I know my audience well…). Desde aí ganhei muito tempo a lê-la e a achá-la o máximo. (Hei-de encomendar os livros.) O autor consegue viver do SMBC (publicidade e tal). Tal como os 5aseco de há duas semanas atrás (sim, estive doente e não postei a semana passada), o modelo de negócio depende de passa palavra e promoção online. Esta é uma contribuição minha.

(É curioso notar como soa bem ‘esta é a minha contribuição’ vs. como soa mal ‘esta é uma minha contribuição’, o artigo indefinido junto ao pronome. E isto independentemente desta última soar como ‘…ma_minha’ mas ‘o maminha’ não faz concordar o género do artigo com o substantivo.)

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A strange turn to the game 'Hide and Stab'. Uma pessoas ri-se duas vezes. A primeira, com a possibilidade de alguém confundir ‘tag’ com ‘stab them to death’ e no horror desse jogo. A piada é perfeita. Pega em algo que nos é perfeitamente familiar e do nosso imaginário de criança e torna-o absolutamente inesperado — e macabro (já existe um sentimento estranho pelas personagens n\ao serem, aparentemente, crianças).

E completa com perfeição este climax do jogo que está prestes a acontecer concluindo que sim, alguém confundiu — a very strange turn — mas a confusão é a oposta à esperada — …our game of Hide and Stab. E mais, a consequência é inóqua: a desilusão de quem se deixa apanhar e não é esfaqueada — 'estás a fazer batota! arrebenta a bolha!'

Termino com mais um exemplo do brilhantismo do SMBC. Espero que gostem. (Obrigado Alex.)

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Props

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O frio faz a noite ficar mais negra.


Ontem vi um carro com pessoas em cima, sentadas numa posição que parecia tudo menos confortável. Era de noite e fazia frio, tanto quanto é possível fazer aqui. Não estavam sentadas no carro, directamente no metal, mas em cima de uma espécie de cadeiras invisíveis. As pessoas também não eram reais, ou deixaram de o ser quando cheguei mais perto, num qualquer efeito à Toy Story. Eram duas, ele e ela. Não deviam caber mais no carro, que era pequeno. Ao longe eram certamente pessoas, a olhar para cima e a ver o céu estrelado pelo frio. As pessoas fazem isso, às vezes, só que não o fazem em Lisboa. Ou no Inverno. O frio faz a noite ficar ainda mais negra, e as estrelas brilham mais fortes no escuro. Enquanto ia andando ao encontro deles, não por bisbilhotice mas visto que permaneciam quietos – eles e o carro – a meio do meu trajecto, fui imaginando que estavam a ver a beleza do céu e da vida e do mundo, a pensar em como somos pequenos e mais pequenos são os nossos problemas, a pensar na sorte que temos em estar vivos, sorte que não parece surgir noutros astros. Cheguei a conceber que ainda havia pessoas que queriam ver as coisas boas, que não se deixavam ofuscar por anúncios governamentais de prosperidade, pessoas que preferiam ver estrelas a ir fazer vigílias alcoólicas aos ministérios da pobreza e da tristeza. Cheguei a imaginar que ainda havia pessoas que namoravam àquela meia-luz do antigamente, que eles preferiam o ar frio ao sofá. Supus, na minha ingenuidade, que talvez fosse uma ocupação mais prazerosa do que alternar entre pessoas fechadas noutra casa e crianças a cantar, na televisão, ele, e ela a fazer chamadas tolas, gastando dinheiro para brincar a Deus. Imaginei muito, porque a minha cabeça corre mais do que as pernas entorpecidas e congeladas, mas eventualmente cheguei perto suficiente. O mundo, afinal, é o mesmo, e só há esperança para as pessoas de faz-de-conta, as únicas que olham o firmamento em Dezembro.