Calçou os ténis velhos e vestiu o fato de treino que há muito deixara de servir ao seu corpo. Meteu no bolso o leitor de mp3 e nos ouvidos os auriculares cor-de-laranja que roubara à filha. Ouvia uma balada da sua adolescência, mas na cabeça impunha-se o ressoar da mesma frase 'a tua reputação precede-te'. Disse-lho no início de um jantar de gala, antes de um aperto de mão, um velho magnata árabe que a sua esposa fizera por conhecer. Cismava desde aí, numa persistência a agarrar a loucura 'não há reputação que me preceda, não pode haver'. Nas horas vagas era de uma humildade louvável. Andava sempre ocupado. Naquela hora, ocupava-o uma corrida contra a reputação: se havia algo que o precedia, havia de lhe passar à frente, bastando-lhe ser mais rápido. Assim, calçou os ténis velhos e vestiu o fato treino que não sabia se alguma vez usara. Correu a ritmo demente. E como sempre, ganhara (sinceramente, o Miguel nunca provara desse medicamente para a vaidade que é perder). Façanha completa, sentou-se no chão relvado, limpou o suor com uma toalha e sorriu aliviado: agora, antes de entrar e se apresentar em qualquer espaço, já todos o conhecem, por ser aquele indivíduo que precede a própria reputação.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
and now for something completely different (IX)
Afinal, cisma o Coelho, a vida é fácil. Colaborava desde sempre com um mágico de idade avançada. Colaboração é falar em jeito simpático, claro, aos olhos vermelhos do Coelho o mágico era o papalvo que o carregava e lhe saciava as necessidades vitais. Todas as tardes a rotina cumpria-se com o escrúpulo de já nem ser rotina, ser o próprio viver: metia-se dentro de um saco preto e deslocava-se dessa forma camuflada para ninguém saber que ia emprestar magnificência ás modestas ruas por onde passava. Do saco, o papalvo punha-o rapidamente numa cartola. Depois, a cartola ficava numa mesa, e ao sinal que já conhecia, o Coelho saltava para fora num gesto de uma singularidade a vacilar entre a elegância e a rispidez. À volta dele, palmas. Palmas. O Coelho pavoneia-se durante uns tantos segundos na mesa, aos olhos incrédulos da multidão que atravessou desertos para o ver. 'Eles amam-me' ou 'Agradeçam a graça da minha presença', pensava o Coelho enquanto balouçava de nariz empinado ao compasso da ostentação. Choviam moedas aos seus pés e o Coelho sabia fazer parte do processo de escravatura do papalvo recolhe-las e ficar com elas. Depois, ao segundo sinal, o Coelho voltava para o saco, sempre duvidando se o seu esplendor caberia naquele curto pedaço de pano preto. O Coelho acha que a vida fácil. Eu acho que é tudo uma ilusão.
domingo, 26 de junho de 2011
and now for something completely different (VIII -> a sério que em chegando o X páro)
O pescador tinha desejos utópicos, de improvável concretizar. Desejava que o seu balde fosse uma cornucópia pronta fazer brotar carapaus e sardinhas, por ordem do seu pensamento. Se viessem directamente da sua fantasia, os peixes haviam de aparecer de igual forma, contorcidos, confrontados e conformados com os seus segundos finais (com a vantagem de serem roubados à imaginação em vez de arrebatados ao mar). O pescador tinha para si que havia uma espécie de compromisso lacrado entre homens e deuses, que impedia os primeiros de comer aquilo que não roubassem: daí a utopia da cornucópia e daí se ver obrigado a roubar o mar. Desculpa pedia ele, não ao peixe, ao mar. Desculpa, porque sabia ser possível que esse mar condenasse o seu roubo e levantasse das suas entranhas uma tromba de água. Desculpa, por saber que essa tromba havia de contemplar do alto o seu contorcionar, no meio do barco qual balde. Desculpa, por achar que a tromba de água havia de pedir desculpa pela insignificância de estar prestes a roubar um pequeno pescador ao mundo dos vivos. Desculpa pedia ele, e enquanto isso, acendia um novo fósforo.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
and now for something completely different (VII)
I
Num certo país há muito que a necessidade de repetir 'roubar é feio' se esgotou. Não que furtar se tornasse um acto bonito, simplesmente deixou de ser preciso dizê-lo. Nesse país, quem roubasse era sumariamente condenado a ver uma mão amputada. Da virtude e da moralidade, os homens e as mulheres conhecem pouco. Sabem melhor do medo. Por isso, roubar foi retirado do caixote moral onde se colocam os actos feios e foi delicadamente colocado na caixa do medo. As pessoas já chegaram a duvidar da legitimidade de roubar. Mas nunca duvidaram do medo de perder uma mão.
II
Nesse certo país vivia o Abílio. O Abílio não era parvo, pelo contrário: sentia-se à léguas da lei e a milhas da compreensão da vulgar população. O Abílio roubou, um dia, a prótese de uma mão.
III
Nesse certo país, o Rui apaixonou-se pela Débora. Disse-lhe numa tarde bronzeada pelo pôr-do-sol um 'amo-te' mais acanhado que sincero. A rapariga fugiu. Enfurecido foi à esquadra mais próxima e bradou 'há uma Débora que me roubou o coração'. Em menos de nada, a bela rapariga estava na praça central da capital, pronta a sofrer o castigo.
A aura de um certo conservadorismo latente naquele país, obrigava alguns rapazes a pedir a mão das raparigas aos seus pais. Já o Rui, pediu timidamente a mão da Débora ao carrasco, no final da execução.
IV
Nesse certo país vivia a Beatriz. A Beatriz adora desafios e gosta de viver no limite da façanha: roubou, certo dia, uma guitarra.
V
Nesse certo país, aconteceu em tal dia estar um calor desmedido. Alheias ao incómodo da temperatura, várias pessoas suadas amontoavam-se na praça central. Estava agendada a amputação da mão de uma miúda com nome Débora. Assistiam à execução da sentença curiosos que fumavam calmamente e mulheres que entre espreitadelas para o cadafalso liam as letras gordas do jornal diário.
'despacha-te filho, está quase a começar', ouvia-se da boca de alguns aflitos.
No final, a mão da miúda caiu no cesto ensanguentado, envolto num grito ensurdecedor.
A Teresa agitava um leque no ar. Apontou um dedo para a miúda que ainda gritava e entre um sorriso altivo sussurrou 'mau dia para pintar as unhas'.
domingo, 5 de junho de 2011
and now for something completely different (VI)
Western em cinquenta e oito segundos
Não vás, eles matam-te, repetia o rapaz ferido. Sangrava do peito e do joelho esquerdo. Os dois entraram no estábulo lentamente. O rapaz franzino suportava o peso do ferido, por isso caminhavam lentamente. Deitou-o num monte de palha. Lá fora, homens a cavalo. Não vás, eles matam-te, repetia o ferido. Dói-te, perguntou o franzino, ao mesmo tempo que fechava os olhos para não chorar. Tinha medo. Dói-me, mas não vás, eles matam-te. O rapaz ferido ouviu o som de balas a entrar no depósito do revólver, O que estás a fazer, inquiriu. Nada, descansa, ainda te dói? A dor estava a passar. Não vás, eles matam-te. O rapaz franzino não conseguiu sentir o pulso ao ferido. Beijou-lhe demoradamente a testa. Tirou do bolso o lenço com as iniciais do seu nome, que a sua irmã bordara. Limpou o suor. Tinha medo. Havia silêncio no estábulo e ouviu Não vás, eles matam-te.
Levantou-se, caminhou para a saída.
Lá fora era Outono e fim de tarde. O céu era fogo. Os milhafres voavam acima da bruma, alheios à incivilidade do homem.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
and now for something completely different (V)
O agente Henriques corava sempre que lhe diziam que era uma pessoa extremamente atenta. Sabia ser verdade, então mentia quando acrescentava 'Não sou nada'. É certo que se não fosse uma pessoa extremamente atenta, não teria notado aquela pequena criança a esboçar um sorriso, mesmo ao cruzar da esquina. Deu logo uma cotovelada ao colega agente, em sinal de alerta. Por ser uma pessoa extremamente atenta, o agente Henriques conhecia as leis. E sabia que há anos que no país vigorava a malograda lei que previa a punição severa a quem ousasse rir ou sorrir. Legitimavam os legisladores, que o riso prejudicava a produtividade.
Os agentes interpelaram a criança violentamente, que por ter ficado em tamanho sobressalto, apontou e respondeu sem medir consequências, 'está ali um palhaço'. O agente Henriques, e por além de extremamente atento ser extremamente perspicaz, reparou logo num homem com idade avançada que se deslocava com andar suspeito, como se estivesse a forçar os pés para não caminhar como Charlot caminhara. O agente Henriques segurou o cassetete antes de colocar a mão no ombro do homem. Amedrontado, o homem ainda negou a calúnia de ser palhaço, mas não pode confrontar os factos, quando o agente lhe descobriu por baixo do olho direito vestígios de tinta preta. 'Aposto que era um lágrima pintada, patife'.
O Palhaço foi levado para uma esquadra de alta segurança. Se a pena era pesada para os que riam, mais pesada era para os que faziam rir. O Palhaço incorreu numa pena de cinco a vinte e cinco anos de prisão. Começou a cumprir sentença dois dias depois de ser capturado, por obra de um julgamento sumário onde, e passo a redundância, nenhum palhaço o ousou defender.
Por ter dentro do seu invólucro de palhaço um homem de sérias convicções, o Palhaço decidiu, na prisão, recomeçar o seu ofício. Numas quantas tardes clandestinas, actuava para um grupo restrito de vizinhos de cela. A ritmo considerável, o grupo inchou. Inchou ao ponto de todos os presos estarem incluídos. Claro que os agentes, por serem atentos, repararam que a uma hora pontual, todos os reclusos desapareciam. Investigaram com toda a atenção e foram subtilmente dar com o esconderijo das palhaçadas. Remeteram o ofensivo caso para instâncias superiores que responderam atempadamente com um cordial 'Não sabemos que fazer'. E ninguém sabia, de facto. Não havia pena de morte nem tortura, porque das poucas vezes em que tentaram aplicar essas penas, as entidades responsáveis não conseguiram conter o riso na altura dos actos. Não continham os ataques de riso perante as caras dos torturados e dos mortos. Então, para não obrigar as instâncias superiores a incorrer em crimes graves, não havia tortura nem pena de morte. O mais que se podia fazer era engrossar a pena de prisão aos presos.
Quando o tentaram, os presos riram. Não se importavam. Ali eram felizes, podiam rir com as palhaçadas do Palhaço. E dar-lhes mais tempo de riso por estarem a rir, era uma receita saborosa para os enclausurados. Rapidamente a prisão se encheu de condenados a prisão perpétua. Condenados que não se importavam de o ser: podiam agora livremente passar o dia a rir. Coisa que não podiam fazer em liberdade.
Ao exterior, as notícias chegaram rápido. Numa cadeia de insubordinados, os presos começaram a rir, à revelia da lei. Coisa curiosa, pensavam as pessoas. Fartas do cinzentismo da vida quotidiana em que não podiam rir, as pessoas começaram a fazer contas à vida, e arranjar esquemas para poderem ir presas.
A epidemia alastrou. A já grande prisão no país teve que ser aumentada. Aos poucos, os guardas começaram a não resistir e sucumbiram também eles ao riso. Começaram a prender-se uns aos outros. Ficou por último um guarda solitário, que era já das pessoas que mais ria na prisão. Não havia guardas para o prender. As pessoas continuavam a pingar nas celas, ao ritmo de chuva tropical. A lei mantinha-se intocável. Fora daquelas paredes, ninguém podia rir. A já grande prisão no país teve que ser aumentada.
Passados anos, já não se distinguia o mundo da prisão nem a prisão do mundo. E tempos depois, até foi o agente Henriques, extremamente atento, que disse para uma criança que cruzava um esquina 'Porta-te bem ou vais presa. E na prisão há uma lei que te impede de rir'.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
and now for something completely different (IV)
Desde que a Aldeia aparece nos manuais de história que o Oito é o seu habitante mais afável. Correm boatos que não é como os outros residentes, que em vez de respirar graceja, e isso, é o que lhe enche os pulmões de vida. Chega, não obstante, a ser irritante, como daquela vez em que empurrou o Nove do sexto piso do edifício da junta de freguesia. O Nove era enfezado e passava os dias a regar as plantas da Aldeia. Era organizado, meticuloso e aborrecido. Numa das vezes em que regava papoilas de uma varanda, o Oito encontrou-o e deteve-se, caminhou em bicos dos pés e deu-lhe uma pancada nas costas como quem diz Então pá! e o Nove, por ser assustadiço, deu um salto e caiu da varanda. Não se sabe se foi descuido ou se houve pitada de pré-meditação, o certo é que o Oito há muito se queixava de perseguição, murmurando achar que o Nove andava atrás dele, sempre e para todo o lado. Quando caiu, o Nove partiu a perna, mas o que mais o chateou foi não ter conseguido impedir que a sua cabeça fosse esbarrar contra o Três. Se há habitante contra quem não queremos esbarrar , é o Três. O Três é um ex-militar que combateu em todas as guerras que envolveram a Aldeia. Robusto, o treino marcial deu-lhe músculos curvados e a guerra deu-lhe o sentimento animal de contrair tédio em tempos de paz. Tédio que procurava acerrimamente afastar em brigas mais ou menos regulares. Por isso, ninguém queria esbarrar com ele. Se o Nove ainda tivesse perna, certamente não iria esbarrar com ele. Após a colisão, logo o Três pegou na cabeça que contra ele foi e pensou, com o cérebro de quem não deve muito à astúcia, que aquela bola algo teria a ver com o Zero. Foi então tocar à campainha do loft onde vivia o Zero, que rapidamente apareceu à porta, de roupão e a fumar. Perguntou o Três, O filho é teu? Pouco se sabe acerca do Zero. É um habitante que se não existisse, tinha que ser inventado. O Zero respondeu Vai-te fuder e começou a chorar. Dizem que o Zero é estéril. Claro que também ouviu os ensinamentos, Crescei e multiplicai-vos, mas até agora, tudo o que conseguira foi crescer. O Três sempre achou o Zero um pouco dado a demências então, não insistiu na briga, limitou-se a cuspir na porta e bramir Não vales nada. Mal o Três sabia, que o Zero era de direita.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
and now for something completely different (III)
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
and now for something completely different (II)
Era um pastor já velho, que vivia sozinho. Um dia, enquanto fazia o jantar e porque a miséria a isso obrigou, decidiu fazer uma sopa com tudo o que pôde encontrar pela floresta, raízes de árvore, carapaças de caracóis, pequenos insectos, ervas várias, terra tragável, cogumelos e o resto não se diz. Cozinhou tudo com delicadeza, e de tamanha fome que carregava, comeu tudo de uma vez. Sem querer, descobriu a fórmula mágica para voar. Começou a ficar leve e pela mais pequena agitação dos braços, elevava-se das tábuas da sua cozinha minúscula. Andou o resto da noite a sobrevoar aldeias a cidades, à vista de todos. Ás tantas, já nem sabia se tinha braços ou asas. Andou assim pelos céus dezenas de anos, com a ideia fixa de que, se dia houvesse em que aterrasse, os americanos rápido o trancariam num laboratório ou numa sala de tortura até revelar os ingredientes ou vomitar a sua sopa. E ele era não um rato para fazer testes, era um colibri para voar. Até que umas dezenas de anos depois, a barba tanto lhe cresceu que não conseguia ir mais alto sem que essa arrastasse pelos chãos. Vai uma criança, que brincava na praia, e pega-lhe pela barba. Contente foi ter com os pais, Arranjei um papagaio, disse. E assim, o velho viveu com a barba presa nas mãos daquela criança, sempre a gritar Não sou um papagaio, sou um colibri. Quando morreu, e porque algum dia tinha de morrer, continuou a voar, para sempre a gritar Não sou um cadáver, sou um colibri.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
and now for something completely different
o lado direito do vale separava-se do esquerdo por um rio azul de gelado, com a pressa a lembrar que há margens que jamais se podem unir. corria montanha acima. o mar que se via, via-se cada vez mais longe, porque o rio o esvaziava, porque o rio corria montanha acima. as paredes do vale eram tão verdes, com lírios das cores quase todas, azuis, amarelos, vermelhos. havia vento e borboletas com mais cores que os lírios, algumas ainda sem nome. havia uma casa de madeira com a única janela em forma de lua em quarto minguante. ao lado, um pomar atraente, com árvores perfumadas e sem um padrão característico à excepção dos suculentos frutos vermelhos e escuros comestíveis a qualquer época. quando a curiosidade se tornou irresistível entrou. apenas tinha uma divisão, com tudo o que se precisa para fazer vida: uma lareira, um chuveiro, um sofá, livros e um violoncelo. trazia à memória saudade, porque estava vazia. e se estava vazia alguém dela estava longe. ou então é daquelas casas que crescem sozinhas, foi um rapaz e uma rapariga que semearam no vale dois pauzinhos de gelado e como regaram a terra com sonhos, nasceu um casa. nunca ninguém lá viveu, a lareira nunca fora acesa e o violoncelo nunca havia sido tocado, pensou. quando entrou disse que era ali que gostava de morrer, um dia, talvez porque havia espaço na janela em forma de lua para que entrassem as borboletas e lhe levassem o corpo pelo vento, pelas nuvens, e assim pudesse continuar a viver sem se aperceber. de manhã ia acordar, e esperar que o rio que passava ao lado da casa e que corria para fugir ao mar, lhe trouxesse notícias do mundo, porque não uma garrafa de vinho e um par de robalos para o almoço. já viram, se o rio descesse a montanha traria na melhor das hipóteses pedras. assim, e como vinha do mar podia transportar tudo o que o mundo lhe quisesse fazer chegar. à tarde ia caçar lírios, apanhar aos três e quatro de uma só vez e com as mãos em forma de concha. com zelo, ia despejá-los no rio e vê-los subir a montanha, vê-los chegar ao topo e imaginá-los a descer para parte incerta. no resto do dia, ia escrever as páginas do seu diário sempre iguais, das quais mudava apenas com o passar dos tempos, a sua voz cada vez mais rouca, as suas articulações cada vez mais ruidosas e os seus dedos cada vez mais hirtos e rugosos. construía certezas, que quando fosse para morrer, se ia transformar em árvore. arrumava a casa, a lareira havia de não parecer estreada e o violoncelo havia ser outra ver virgem. não eram as borboletas que o iriam libertar mas raízes feitas dos seus pés. ia plantar-se no pomar, esperar que o seu corpo se transformasse em tronco e divertir-se na eternidade longe do paraíso, a chorar, que é como quem diz, a brotar do seu próprio sangue suculentos frutos vermelhos e escuros comestíveis a qualquer época.