

"A grande e decisiva arma é a ingnorância. É bom, dizia o Sigisberto no seu jantar de aniversário, que eles nada saibam, nem ler, nem escrever, nem contar, nem pensar, que considerem e aceitem que o mundo não pode ser mudado, que este mundo é o único possível, tal como está, que só depois de morrer haverá paraíso(...)."
José Saramago, Levantado do Chão
Vienna waits for you
Billy Joel sempre se mostrou como um génio, mas nunca pensei que a minha experiência de Erasmus fosse prevista por uma música de 1977. Recomendo! Ambas!
Antes de vir para Viena, todos me descreviam a cidade como muito bonita, uma cidade completa e alegre. E terminavam com um “Vais adorar”, que já me deixava nervosa. Confesso que ainda me conseguiu surpreender. Adjectivos não chegam.
Não queria cair na descrição típica de um roteiro turístico, mas sem dúvida que os monumentos que se visitam são belíssimos , há uma variedade de Museus, Galerias ) Lojas especializadas. Uma cidade cosmopolita mas com o seu lado histórico em todos os cantos arredondados dos edifícios. E nos doces típicos, do Apfel Strudel à Sacher Torte (bolo de chocolate).
A qualidade de vida proporcionada pela cidade é incontestável. A segurança vê-se na presença regular da polícia, especialmente à noite. Até porque a rede de transportes funciona 24 horas. Pessoas na rua a cantar ópera, músicos a tocar a banda sonora do “Padrinho” no metro são comuns. O incomum está no facto dos austríacos facilmente prendarem estas pessoas com valores simbólicos, mas que ainda assim mostram as diferenças sociais e de mentalidade em relação ao Sul da Europa.
Mesmo quando o sol teima em não aparecer, as noites compensam. E há alguma festa, de Erasmus ou não, em que os estudantes se encontram. O Facebook é sem dúvida um veículo de promoção das mesmas, especialmente as que são organizadas por residências ou grupos. Há discotecas e bares (típicos ou não) muito interessantes, com Dj’s internacionais e diversão garantida.
Só há uma pequena falha do Billy Joel, se Viena espera por mim, para quê tanto Red Bull? Vou passar a explicar, a minha professora de Alemão pelas 9 da manhã ingere um iogurte líquido e um Red Bull. Aparentemente eles consomem muito, mesmo! A razão é explicada pelo facto da Áustria ser o país originário da mesma. Mas ainda assim..
Wirtschaft Unversität (não podia deixar de dizer qualquer coisa em alemão) é a universidade com a qual a Católica tem “protocolo”. Aqui também não faltam ecrãs no átrio que falam de rankings do Financial Times e de certificações da Equis. Uma óptima universidade, com muito boas condições e professores prestáveis. Com um método diferente, quando vamos à faculdade para fazer uma cadeira temos 3 ou 4 horas da mesma, e por isso ficam ficamos com dias livres para viajar ou descansar.
Há duas vantagens em vir para Viena: o alemão e as viagens. O alemão é difícil mas há sempre a possibilidade de aprender um pouco. Mas o inglês é a língua mais usada, inclusivamente nos supermercados, os colaboradores na sua maioria falam fluentemente. Em relação às viagens, parece-me óbvio, uma vez que a cidade está localizada numa zona bastante central da Europa, e permite ir rapidamente a várias cidades da Europa Central e de Leste. Os austríacos não são as pessoas mais simpáticas, mas eu culpo a falta de sol e de bom tempo. Mas isso não tira a Viena o seu quê de especial.
Why don't you realize, Vienna waits for you?
When will you realize, Vienna waits for you?
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Nota: Espero que o Católica Tribune não se importe. Ahaha :)
http://www.manuelalegre.com/302000/1/001530,000004/index.htm
Ah, entendi. Ou acho que entendi, vejamos: Eu sei, ou sabemos, que as notícias de greves que nos chegam são facciosas, que são a ponta violenta e sensacionalista de um iceberg pacífico. Como tenho consciência disso, quando me perguntarem se a greve em Portugal deveria ter expressão nas ruas, como no resto da europa, só tenho é que dizer que não... porque sei que a consciência colectiva não sabe o que eu sei. Isto é, no meu entendimento, os exemplos gregos e franceses são bons, só não os posso é referir em Portugal.
Então, se eu responder (a) “não, não devia haver acções de rua”, estou a responder segundo o que, à partida, deixa tranquila a ideia top-of-mind. E por isso estou a ser correcto.
Mas eu acredito que a melhor forma de, no fim do dia, calar o duelo de percentagens de adesão, é ter grande parte dos grevistas na rua, e passar do estatístico ao factual. No entanto, se responder (b) “sim, acho que a greve devia ter expressão nas ruas como no resto da europa”, porque de facto sei que essa expressão no resto da europa é no seu grosso pacífica, estou a ser errado.
Na hipótese (a) dou a resposta que vai contra aquilo em que acredito e de encontro ao menos escandaloso. Na hipótese (b) dou a resposta que sei ser a que se coaduna com a realidade europeia, que sei ser a que melhor serve os propósitos reindivicativos da greve, e que sei que, por estarmos na dimensão errada em termos de midia, pode ser um mau exemplo e causar alguns anti-corpos. Álguem sabe o que traduziria escolher a resposta (b)? O Felipe sabe, responde nas últimas três palavras do seu último post.
-Achas que os exemplos que Pairam no ar, acerca da França e da Grécia são bons exemplos?
-Não
-Concordas que o que Paira no ar corresponde à Realidade desses países?
-Não
-Então, vais entrar no jogo da mediatização da infinitésima quota de acções violentas desses paíeses?
-Não
-Sendo assim, sentes-te na legitimidade de escolher como referência esses países?
-Sim
-Obrigado por esta entrevista fernando.
-De nada fátima.
Repito:
8 – A greve geral não vai ter expressão de rua?
R: A expressão de rua por essa Europa fora tem vindo a dar uma maior visibilidade à luta dos trabalhadores, a que se juntaram, como vimos em França e na Grécia, os desempregados, estudantes e precários, pelo que era importante dar-se forma a essa expressão.8 – A greve geral não vai ter expressão de rua?
R: A expressão de rua por essa Europa fora tem vindo a dar uma maior visibilidade à luta dos trabalhadores, a que se juntaram, como vimos em França e na Grécia, os desempregados, estudantes e precários, pelo que era importante dar-se forma a essa expressão.
a-mentira e/ou o seu departamento de "emoções bué fortes", não se responsabilizam se deixares o teu curso, abandonares a tua mulher, abandonares o teu homem ou fugires de casa.
Fecho os olhos.
Já não consigo ouvir por mais tempo as máquinas e as alfaias lá fora a trabalhar sob o comando do abrasador Sol de Agosto.
O ruído de fora entrou, entrou-me e bloqueia qualquer pensamento que possa querer nascer.
Fecho os olhos para não ouvir.
Deitada num pequeno sofá verde aveludado e quente, ainda me lembro da minha vó contar a história do sofá chegado das Índias pelo meu tio-avô Cândido que enviuvou cedo, infurtúnio da vida,e de logo se entregou à família sobrante.
Fecho os olhos.
Não desejo estar aqui. É o barulho já disse, que me convida a sair.
Os primeiros segundos de penumbra assustam-me. Também não quero estar aqui.
Abro os olhos. Barulho de novo. Não.
Tento de novo o teletransporte da alma e mente para outro lugar, abandonando o corpo naquela sala onde coexistem apenas sofá e barulho. Sim, já nem eu me sinto na sala.
Começo a passear por memórias para assim encontrar o caminho das vontades e ir dar à praça do desejo e do sonho.
Passo por um lindo bosque, o cheiro a terra molhada hidrata-me o rosto que há muito sente os arranhos da vida que passa.
Esta sensação de frescura levou-me a continuar, penetro cada vez mais por entre os braços das árvores.
Subitamente, sinto sob os meus pés um tapete diferente. Se a suavidade e o toque terno que recebia do chão me tinham acompanhado até ali, a dureza dava-me agora as mãos.
Sou atacada pela frieza de um chão de pedra, duro, muito duro. Olho em frente e nada mais vejo se não um longo traço branco que se estende e toca o céu.
Era o tapete de pedra.
Segui, apesar do frio que sentia, dos pés subiu até mim, aquela rasto deixado por alguém ou algo. Estremeço com o frio, agora reconfortava o sofá do tio-avô Cândido, ao chegar defronte de um grande portão.
Só de o olhar senti o seu peso. De ferro era ele, velho, comido, de pose altiva e soberana sobre o traço branco que acabara de percorrer. E sobre mim mesma também.
Empregando toda a minha força sobre a argola do portão, um guincho de dor vindo das dobradiças faz-me arrepiar de novo.
Olho em frente e algo vejo.
Doze grande colunas, quais gigantes de contos infantis,se erguiam do chão e se esperguiçavam de forma sensual até ao céu.
Sobre estas seus capitéis enfeitavam-lhes o cabelo. E sobre estes ainda, repousando serenamente, um frontão recortado, adornado com a mestria de homens cuja beleza queriam atingir.
Por detrás deste conjunto, divinamente agrupado e conjugado, estava
uma porta, pesada também pelo que vi, desta vez de madeira.
Sem lhe chegar, sem lhe tocar, sem a sentir, senti que ali, por detrás da sua imponência, não ia encontrar ruído, máquinas, calor, aveludado ou verde sequer.
Ali ia encontrar o sítio pelo qual meu corpo buscou mas que apenas a minha mente atingiu.
Deixo-me então no sofá para caminhar em direcção à grande porta.
Não sei o seu nome. Não sei para onde me leva.
Mas sei que me convida a entrar.
(Texto escrito sob os olhos de uma imagem representativa de um tempo da Antiguidade Clássica para um teste de diagnóstico de Teoria da Arquitectura. A sua publicação foi decidida Sábado à noite numa conversa animada com a Mariana e o Fernando. A culpa é deles que me tentaram a publicar este texto que me fez duvidar da minha sanidade mental depois de pensar que tinha escrito o acima exposto num teste de faculdade...)