Vítimas de Joseph Kony dizem que vídeo surgiu demasiado tarde
Vítimas do senhor da guerra ugandês Joseph Kony, procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), afirmaram hoje que o vídeo sobre as atrocidades cometidas no Uganda, a circular na Internet desde da passada semana, surgiu tarde demais.
Onde estavam estes grupos quando estavamos a ser mortos por Kony, perguntou Angella Atim, cujo braço esquerdo foi cortado dois dias depois de ter sido capturada pelos rebeldes.
Onyango Kakoba, representante do Parlamento Pan-Africano, reconheceu a iniciativa da ONG, mas acrescentou que "a iniciativa devia ter surgido na altura certa, e não agora, que Kony foi derrotado no Uganda".
Para Solomon Kigane, missionário no norte do Uganda, a "situação mudou da guerra para a paz e a população apenas quer reconstruir e voltar às suas vidas normais".
Para o governo ugandês, trata-se de considerar as realidades atuais da situação, lembrando que o LRA foi repelido (pelo exército) em meados de 2006 e atualmente é apenas um grupo diminuído e enfraquecido cujos efetivos não ultrapassam os 300 homens e cujo líder deverá estar escondido na vizinha República Centro-Africana.
"É errado sugerir que ainda há guerra no Uganda", disse Fred Opolot, um porta-voz do governo do Uganda. "Se é essa a impressão que querem transmitir, então estão a fazê-lo apenas para aumentarem os seus recursos financeiros", acusou.
[Fonte: Expresso]
quinta-feira, 15 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
the meaning of life (IV)
Quando era pequena diziam-lhe a meio caminho entre o sério e o vão, tu vais ser costureira como a tua tia. É ingrato olhar para uma criança que brinca com meia dúzia de linhas e encontrar no cenário traços de um ganha pão. As pessoas crescidas são assim, a partir de certo estado são demasiado maduras para suportar a inocência, demasiado sérias para desvendar graça nos gestos simples e demasiado práticas para conceber a inconsequência. Não havia nada mais inocenete, simples e inconsequente do que a forma atabalhoada com que a Leonor estragava, rompia e cosia sem coser os vestidos da sua única boneca.
Hoje, sentada no canto da sala recordava esse tempo. Sabia como era ávida a sua tia, como ás vezes olhava para ela sem distinguir onde começava o pano e acabavam as suas mãos
- és de seda tia
e a tia gracejava. Lembrou-se que numa tarde ficaram sozinhas no sofá, caladas até que a coragem da Leonor perguntou, trabalhas tão rápido para ter mais tempo para brincar? A tia respondeu sem desviar os olhos da agulha, que não, que trabalhava rápido para ter mais tempo para trabalhar. Estava um calor abrasador essa tarde. A mãe foi buscá-la quase à noitinha. A essa altura, já a Leonor tinha entendido que a tia não era de seda, era carne, ossos e suor. Era feia, como as pessoas crescidas.
Hoje, sentada no canto da sala recordava esse tempo. Sabia como era ávida a sua tia, como ás vezes olhava para ela sem distinguir onde começava o pano e acabavam as suas mãos
- és de seda tia
e a tia gracejava. Lembrou-se que numa tarde ficaram sozinhas no sofá, caladas até que a coragem da Leonor perguntou, trabalhas tão rápido para ter mais tempo para brincar? A tia respondeu sem desviar os olhos da agulha, que não, que trabalhava rápido para ter mais tempo para trabalhar. Estava um calor abrasador essa tarde. A mãe foi buscá-la quase à noitinha. A essa altura, já a Leonor tinha entendido que a tia não era de seda, era carne, ossos e suor. Era feia, como as pessoas crescidas.
domingo, 11 de março de 2012
"Sem ela, um jornal de referência transforma-se num blogue de maledicências e arruaça"
Campeão.
http://www.publico.pt/Media/expresso-prescinde-de-cronicas-de-mario-crespo-apos-critica-violenta-ao-jornal-1537220
http://www.publico.pt/Media/expresso-prescinde-de-cronicas-de-mario-crespo-apos-critica-violenta-ao-jornal-1537220
sábado, 10 de março de 2012
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